terça-feira, 8 de setembro de 2009

O dia de hoje: o voto em branco ou a abstenção eis os votos inúteis... útil é votar segundo a consciência...

...o voto útil é votarmos segundo a nossa consciência...



A preocupação de quem tem olhos para ver é a abstenção: é a atitude dos que, cansados e desiludidos com várias políticas, escolham ficar em casa ou entregarem um voto branco.

Esse será o letal voto inútil. Esse entregará a chave da nossa casa ao ladrão.

O voto útil é votar segundo a nossa consciência. E a consciência não é coisa que se negoceie ou trafique.

Ontem, não vi na RTP1 a esquerda dividida: vi entendimentos diferentes do Estado Social.

Ontem, não vi uma esquerda que não possa formar uma coligação –por mais que opiniadores & Cia, ao serviço e em sintonia com a direita que nos lixou abundantemente, queiram vender essa imagem ao eleitorado.

É o medo da direita perante a hipótese de um governo de coligação à esquerda –é esse terror, a crescer cada dia mais, que me confirma a convicção de que essa coligação de esquerda é possivel.


E, quando acontecer, é a prova de que nem tudo está podre, nem partido, nem corrupto, no nosso país -há séculos à procura de si próprio, da liberdade e da justiça social.

O dia de hoje: um dia importante que pode decidir escolhas que podem decidir o futuro de um país que tem de se encontrar a ele próprio...



...vamos escolher o nosso futuro?

Hoje, o debate é especialmente importante. É entre duas pessoas do lado possível. Do lado necessário. Duas pessoas que se perguntam e nos perguntam quais os caminhos para o Estado justo: o Estado Social. Com certeza, aquilo que se passar irá influenciar as nossas escolhas. O futuro do nosso país só pode resolver-se por aí. A alternativa existe: é recusar o neoliberalismo e o conservadorismo do PSD e do CDS e optar por quem propõe uma política que procure resolver ó drama -a tragédia- das desiguldades, da corrupção, da indecência de pagar a maioria desgraçada as mordomias da minoria privilegiada.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

...aluna atenta Manuela Ferreira Leite ensina a Francisco Loução as virtudes do Velho do Restelo...


...o Velho do Restelo condena a coragem dos que procuram mudar as vidas...



Deve ter saltado aos olhos de quem, ontem, assistiu ao debate entre Manuela Ferreira Leite e Francisco Louçã: de um lado o passado, do outro o futuro.

De um lado, a vontade de travar a ousadia dos portugueses; de os agarrar e fixar às grilhetas de um dia a dia pobre, feito de desemprego, de miséria, muitas vezes da fome de uma maioria desprotegida, explorada –diante de uma maioria que enriquece todos os dias, à custa desses humilhados e ofendidos.

Do outro lado, a interrogação e a recusa. Em suma, e sintetizando o que esteve explicíto e implícito nas intervenções de Louçã, como é possível sintetizar em duas linhas, e invertendo a ordem:

De um lado, Francisco Louçã, que perguntava: ‘esta desgraça é uma fatalidade portuguesa e os portugueses estão condenados a não poder fazer melhor?

e negava essa condenação desvergonhadamente injusta:

‘a justiça social é possível, a solidariedade social é possível, um Estado protector que garanta o ensino (realmente a Porta Principal da República, da Polis, da Cidade onde queiramos viver dignamente, digo eu) a segurança social, a assistência médica gratuita (veja-se o caso de Inglaterra, digo eu), o direito ao trabalho –esse Estado é possível. Mas será erguido contra os privilégios de que goza a minoria privilegiada...’

E, por isso, do outro lado, parecia ouvir-se -ouvia-se!- a voz do Velho do Restelo, de Camões:

Não se mexam, não ousem fazer nada, continuem na mesma... conformem-se, resignem-se, aceitem... habituem-se a viver remediando a miséria... Fiquem onde estão!”


E isto é vida?! Onde é que estamos?! Qu'é do futuro?! Precisamente, de um futuro que não seja isto que recusamos e onde querem que fiquemos!
p.s. aqueles que, de quanto acima, concluirem que sou um bloquista enganam-se, redondamente; aqueles que concluirem que sou um socialista convicto acertam em cheio...

domingo, 6 de setembro de 2009

O dia de hoje: será o amor o princípio e o fim de tudo?

pormenor do nascimento de Vénus, pintura de Botticelli



No primeiro livro de Aquilino Ribeiro, Jardim das Tormentas, publicado em 1913 e prefaciado por Carlos Malheiro Dias –monárquico dos quatro costados e romancista de muita qualidade, Malheiro Dias não se coibiu de apresentar um novel autor, republicano e revolucionário...-, o mistério de Adão e Eva, a causa da sua expulsão do Paraíso, é-nos revelado de outra maneira. Não, não foi a maçã, foi o sentimento. O conto intitula-se O Triunfar da Vida.

Proibidos, por Deus, como sabemos, de experimentar o fruto da sabedoria, os dois jovens não se cansam de o procurar. Não lhes basta o que têm: querem mais. Querem ir além.

E eis que, o fruto toma forma inesperada (ou óbvia): no encontro, na entrega, na posse, no abraço, no frémito da busca do êxtase e no clímax dele –se lhes abre a janela do absoluto, do infinito, da eternidade.

Contra a vontade de Deus? Em pleno pecado , em pleno tal pecado original?

Porém, quando Ele os expulsa, conta Aquilino:

‘No mesmo momento todos os animais clamaram:

-Também iremos, oh homem, para o mundo sem fim. Amor, tu és tudo!!

As cancelas do divino horto fecharam-se com horrendo estampido; a terra e o céu ardiam; as ondas do mar ardiam.

Ao frio, ao vento nossos pais tornaram a enlaçar-se como as serpentes; e a criação inteira imitou-os. E ao fim deste amplexo que povoou o mundo, todos cantavam, abelhas, melros e Eva:

-Amor, amor tu és tudo! A ti nos rendemos na dor e na alegria! Amor, tu és tudo!’

Desta fábula, indo ao invés dos gregos, não tirarei nenhuma moralidade. Ou, por outra: a minha, guardá-la-ei para mim. E agora, amigo, é a tua vez de concluires...

...realizador português interessa-se pela crise em Portugal?...

...portugueses comuns discutem os efeitos da crise sobre o dia de hoje e dos efeitos piores, pioríssimos sobre o dia de amanhã, sobre o dia de depois de amanhã e sobre os dias que vierem depois...


...ao que a crise levaria Betty Boop se ela fosse portuguesa...




...Vasco Pulido Valente, modestamente, confidencia, no Público de hoje, que um realizador lhe pediu escrevesse um guião para um filme inspirado no romance de Camilo Castelo Branco, O Esqueleto.


Será que o cinema português decidiu debruçar-se sobre a crise em Portugal e as suas consequências para os cidadãos portugueses?

...a mentalidade 'ganhadora' de Queirós ou o seleccionador importado que virou coveiro...

... Queirós o homem que lê nas almas e conclui... o quê? está na ilutração que segue em baixo




Esta semana, e mais uma vez, não ganhei o euromilhões! Ontem, e mais uma vez, a selecção portuguesa não ganhou o jogo. E, ao que parece, só um milagre -igualzinho ao milagre de que estou à espera para ficar milionário-, só uma ganda cunha à Nossa Senhora de Fátima a levará à África do Sul!

Esta coisa de não ganhar será doença da raça?

Queirós diz que não: que é maldade dos árbitros. Segundo o iluminado apanha-bolas de Ferguson (leia-se, do Manchester United), desde que ele selecciona a banda -a selecção nacional-, os árbitros já nos roubaram 5 (cinco) pénaltis!

Ontem, foi o quinto. Aliás, se não tivesse havido o quinto, Queirós, um psicólogo, um homem que lê nas almas, que compreende o que vai por dentro dos homens, nem teria chamado o neo-português e neo-seleccionado Liedson (e autor do nosso único golo)..., guardado no banco para não ferir as susceptibilidades dos colegas mais antigos...

Esta coisa de não ganhar não será incapacidade do apanha-bolas?

Bem, mas se isto só vai com pénaltis –que o primeiro seja o que acertar no traseiro do coveiro importado por Madail e o ponha no olho da rua!

O dia de hoje: uma questão moral em tempo de escolhas políticas: falar ou estar calado...

...quem escreve nunca está sozinho...


Arundhati Roy, um dos nomes mais conhecidos da literatura indiana contemporânea, explicou a intervenção social: “era óbvio que ficar calada seria o mesmo que falar: uma escolha política”. E veio a público, denunciou e descreveu as injustiças sociais do seu país.




Em meados do século passado, o conflito entre a arte-pela-arte e arte empenhada agitou os intelectuais. Esse conflito foi empolado pelos seguidores do ‘realismo socialista’ –e, talvez também empoladamente, defendido pelos defensores de uma Arte livre. Teve, cá na nossa terra, consequências nefastas e levou a disparates como acusarem Régio de ‘umbiguismo’, Tomaz de Figueiredo de ‘miguelismo’ e Agustina de ser ‘um Poust à moda do Minho’... Qualquer dos três escritores -três exemplos, escolhidos entre muitos outros autores maltratados-, qualquer desses nomes é dos maiores da Literatura Portuguesa. Aliás, não creio que possa existir a ‘arte-pela-arte’, nem creio que Régio, Tomaz de Figueiredo ou Agustina a hajam praticado.

Realmente, como pode o artista ignorar as injustiças sociais? Como pode o artista realizar uma obra totalmente alheia ao mundo e ao momento em que vive? Aqui, por exemplo, e agora: será legítimo, honesto e possível esquecer o drama social que abala o Estado? O Estado somos nós –não é uma empresa como a do Sr. Fulano, que considera e reconsidera abrir ou não abrir falência. Há quem fale dos perigos de um Estado mínimo, despojado, diminuído, incapaz de garantir direitos fundamentais: a saúde, o ensino, a assistência social –em suma: há quem tema o advento de um Estado associal e apenas formalmente democrático, pois, à democracia, se substituirá a plutocracia. E quem fala disso tem muita razão.

Essa é a meta dos novos liberais e dos neoconservadores, aqui representados pelo PSD e os seus cavaquistas e pelo CDS. Vendo bem, não lhes assiste nenhuma ética. O que pretendem: a desmontagem sistemática do Estado; a privatização e domínio de tudo quanto rende; o controlo da economia. Pergunto: essa luta monopolizadora e canibalesca é moral? Ou será, para além de brutalmente injusta, imoral? Mas isso, que seja ou não seja uma política imoral, não os preocupa. Recentemente, um dirigente do PSD não hesitou em afirmar que política e moral são coisas completamente distintas. Engana-se: a imoralidade que pratica revela a sua (dele) imoralidade.




A escolha política é essencialmente uma escolha ética -porque toda a política corresponde a uma visão ética da sociedade: esta visão ética ou aquela visão ética. E, tornando à escritora Arundathi Roy: nenhum intelectual que se respeite pode ficar indiferente à destruição do Estado social –de um Estado que disponha de meios para responder à tragédia (à crise) em que nos meteu o neoliberalismo selvagem.