sábado, 5 de setembro de 2009

...para os que lêem francês o 'Le Monde' analisa o tráfico de futebolistas...





Trafic de joueurs


En interdisant de recrutement, jusqu'en janvier 2011, le club londonien de Chelsea, la Fédération internationale de football (FIFA) a pris, jeudi 3 septembre, une décision exemplaire, sans précédent mais bien tardive. Elle laisse entrevoir une moralisation des transferts concernant les footballeurs mineurs, domaine dans lequel les clubs les plus argentés se comportent en prédateurs depuis une dizaine d'années.
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L'affaire pour laquelle Chelsea a été sanctionné opposait la propriété de l'oligarque russe Roman Abramovitch au Racing Club de Lens, qui vient de retrouver l'élite et traverse depuis deux saisons de graves difficultés financières. Le litige concernait Gaël Kakuta. Selon la FIFA, ce jeune a été fortement incité par Chelsea à rompre le contrat de formation qui le liait à Lens. Les faits remontant à juin 2007, Kakuta était alors âgé de 15 ans.
Outre l'interdiction de recrutement, Chelsea est solidairement responsable de l'amende de 780 000 euros que devra verser le joueur à son club formateur et devra également payer une indemnité de formation de 130 000 euros. Les dirigeants londoniens, qui ont annoncé qu'ils feraient appel devant le Tribunal arbitral du sport, ont jugé ces sanctions "totalement disproportionnées".
Comme l'a rappelé Rama Yade, secrétaire d'Etat aux sports (Le Monde du 5 septembre), "dans le cas du jeune Gaël Kakuta, ce qui est en jeu, c'est à la fois la protection et la valorisation du travail des clubs formateurs, et la protection des mineurs. Il faut imposer l'idée qu'il existe une spécificité sportive, renforcer l'interdiction de transfert des mineurs et l'étendre aux transferts à l'intérieur de l'Union européenne".
Dans le premier cas, la protection de la formation, un autre club français vient lui aussi de se faire "voler" (selon le mot du président du RC Lens, Gervais Martel) un joueur. Le capitaine de l'équipe de France des moins de 16 ans, Paul Pogba, vient de quitter le centre de formation du Havre pour rejoindre Manchester United sans qu'un certificat de transfert ait été délivré par la Fédération.
Pour les mineurs, l'Union européenne des associations de football (UEFA) a adopté, en mars, une résolution qu'elle compte présenter à la FIFA pour étendre l'interdiction de tout transfert de joueur de moins de 18 ans à l'intérieur des frontières de l'Europe, où elle est de 16 ans. Devant le Parlement européen, Michel Platini, président de l'UEFA, a rappelé que "faire traverser l'océan à un jeune pour le faire taper dans un ballon, c'est comparable à du trafic d'enfants". Que ce soit un océan ou la Manche.
transcrito, com a devida vénia, de Le Monde, a sair... amanhã...

Será possível disfarçar o desastre da economia neoliberalista?...





-E se concluem que a H1N1 não é tão maligna como dizem?
-Tem que se procurar outra pandemia para mascarar a economia.


Romeu, in El Pais, o5/09/09

Uma verdade e a homenagem corajosa...



Louis-Ferdinand Céline




...Ora aqui está quem tem bom gosto e não se envergonha! Alguém que tem coragem para dizer o que pensa!



Ontem, Manuel A. Domingos, no seu blog meia-noite todo o dia, disse o que pensa e lembrou um dos maiores escritores do século XX: Louis-Ferdinand Céline , autor do fabuloso romance Voyage au bout de la nuit. E, a talhe de foice, comenta a personalidade por vezes moluscolar de Louis Aragon...



Em tempo de ambiguidade, seguidismo, oportunismo e mais uns tantos ismos, num tempo de corrupção cultural desvergonhada, a sua atitude destaca-se como pedrada no charco.



Sim, Manuel, o verdadeiro Céline é o que está presente no Voyage e noutras suas obras superiores.



Tal qual, convenhamos, muitas belíssimas poesias de Aragon fazem esquecer a servidão intelectual do militante (por oportunismo?) do realismo socialista...



Ad usum delphini...: no segundo volume do importante Essai d'Autobiographie, cujo título é Nous, Claude Roy deixa um retrato completo do autor de Le Crève-Coeur (o livro a que me refiro, quando, por aqui, lembrei a minha saudosa amiga perdida (?) Teresinha de Almeida e ela me deixou, em Paris...). Vale a pena ler essa Autobiographie: o século XX, de 1940 até quase aos nossos dias, está lá, admiravelmente descrito e dissecado...



A sua atitude, Manuel, é uma lição, um exemplo de verticalidade. Precisamos de muitas pedradas dessas! Bem haja!







Não falo do caso TVI quando não há quem não fale?...

...onde começa e acaba a sinceridade dos que discutem esse mundo?...


Não, não falo. Estou cansado de peixeiradas, estou nauseado, preciso de respirar ar puro.

No dia 27, lá estarei a votar -e, com certeza, não votarei nos neoliberalistas que andam a roer os alicerces do Estado social e a fazer o impossível (por cá, obviamente apoiados nos partidos da direita que ganhassem eleições, também os neoliberalistas fariam esse esforço oxalá impossível...) para sairem da própria crise e alargarem e estabilizarem a nossa crise, a do Zé Povinho: desemprego, vencimentos e reformas cada vez mais curtinhas... cada vez mais tristes... Esta, sim, é a realidade urgente.

Comentem, comentem, mas, à maioria dos comentadores políticos e das várias comunicações sociais, deixo a pergunta: comentam de boa fé?

O dia de hoje: um poema inédito de Pablo Guevara peruano apaixonado e inquieto disposto a salvar o mundo...

...imagem das montanhas de Cusco algures no Perú...



Pablo Guevara




página do meu caderno de Paris, com o poema manuscrito de Pablo Guevara




Foi um daqueles raríssimos amigos, que dão, às nossas vidas, um sentido. Conheci-o, no Verão de 1958, em Paris, na Cité Universitaire. Pablo Guevara (1930-2006) era um peruano, de Lima.

Apareceu, com outros sul-americanos, estudantes e artistas. Convivemos dois meses. Chegámos a dividir, com mais dois sul-americanos e um catalão, um quarto no edifício patrocinado pela Fundação Deutsche de la Meurthe...

Corremos Paris, procurámos trabalho nos Les Halles, discutimos literatura e cinema, o nosso futuro e as nossas paixões. Ele andava já apaixonado por uma jovem dinamarquesa, com quem acabaria por casar; eu suspirava por uma adolescente alentejana e descobrira Teresinha de Almeida, uma brasileira de Santos, licenciada em Direito, muito bonita, delicada e viva, leitora de Aragon, que tinha um ‘noivo’ holandês e se desfez dele. Seria Teresinha a dizer-me: ‘Manuel, você gosta é dela...’, da tal alentejana, e a deixar-me, à partida (foi-se embora, antes de mim), o livrinho do poeta francês, Le Créve-Coeur, com a seguinte dedicatória: ‘Manuel, não esqueça Paris”. Não esqueci. Nem a esqueci a ela nem a Pablo.

De Teresinha de Almeida, falei, recentemente, mas nunca é demais insistir: talvez desta vez alguém , no Brasil, me descubro a amiga... Há horas felizes...

A vida meteu-se ao meio, o que tinha de vir veio –e perdi-lhes o rasto. Teresinha de Almeida ainda me escreveu e, depois, calou-se; Pablo Guevara desapareceu, na bruma. Tentei, em vão, recuperá-los. Há-de haver tantas Teresas de Almeida, no Brasil! Nunca mais soube dela. E as pessoas a quem perguntava por Pablo Guevara iludiam a resposta, não o conheciam. Cheguei a pensar que, homem de esquerda convicto, fosse um ‘temível’ guerrilheiro do Sendero Luminoso... Afinal, participou da revolução campesina de Juan Alvarado, que governou o Perú, entre 1968 e 1975, foi um excelente professor universitário até à morte e um poeta que marcou profundamente o seu tempo...

Há poucos anos –em 2003- consegui entrar em contacto com Pablo: tornara-se um famoso poeta e ensinava na Universidade de Lima. Ainda falámos pelo telefone –e a vida meteu-se, outra vez, ao meio... Quando o procurei, quatro anos depois, soube que falecera.

Devo-lhe muito: deu-me muito e ensinou-me muito. Montaigne escreveu, a propósito da sua amizade com La Boétie: ‘parce que c’était lui, parece que c’était moi”. Entre nós, aconteceu o mesmo e a memória de Pablo é indelével.

No meu caderno de Paris -reproduzo acima a página-, Guevara escreveu e assinou um poema dedicado à mãe. Aqui o deixo:

No, no quiero pensar que Ella sufre,
mi madre, huérfana de mí,
y con las nubes de hoy
y con las guerras de hoy, ella,
en su tela de araña,
teje y teje
su amor de mí,
más fuerte y alto
que la Tour Eyffel.
Ella así lo llamaría
Se fuera parisina.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

...para a amiga Bicho de mato que anda por aí envio Vinicius e os desejos de um bom fim de semana...

...um DVD indispensável...

...e, destas pérolas, se quiseres, poderás partir para uma grande viagem...

O dia de hoje: intervalo para respirar no meio dum vendaval feito de raiva inveja ódio e pouco quase nenhum verdadeiro amor ao outro...

... Pablo Picasso 'A vida' ... ela existe... basta conquistá-la
Ramón J. Sender


...uma pequena obra-prima...


Descobri Ramón José Sender nos meados dos anos 60, para mim, a revelação de um dos mais poderosos romancistas do século XX. De Sender, exilado nos Estados-Unidos, poucas obras estavam à venda na Espanha franquista. Requiem por un campesino español, pequena obra-prima, comprei-o, clandestinamente, numa pequena livraria de Madrid... Aqui, em Portugal, raros o conheciam e o poeta Armindo Rodrigues, talvez o único, surpreendeu-me, ao dizer que sim, que também ele o admirava...

Ramón J. Sender, desde a primeira hora, um lutador, um combatente, escreveu, sobre a trágica Guerra Civil de Espanha, em que perdeu mulher e família, o romance Los Cinco Libros de Ariadna, leitura obrigatória, e, antes, em plena guerra, o longo ensaio Contraataque, que lhe alienou, na independência radical, muitas simpatias e lhe trouxe outros inimigos, para além dos falangistas. Era um homem estruturalmente livre, avesso a dogmas e rebanhos –generoso e humaníssimo.

No meio deste vendaval, que anunciei, desta corrida ao poder, cheia de insultos, intrigas, golpes baixos, acusações infundadas, calúnias, em suma, de tudo quanto serve para destruir o outro -no caso, o adversário político-;

revoltado, farto, nauseado, reabri um livro do grande Sender, que muito me impressionou e de quando em quando revisito: Crónica del Alba.

E reli a passagem seguinte, breve passagem do diálogo entre o herói, Pepe Garcés, e o humilde irmão leigo cuja obra escultórica -um nada, escondido num estúdio-arrecadação do colégio aragonês- tocara o adolescente inquieto e irrequieto; diz-lhe o irmão leigo:

‘Ya veo hermanito. Quieres la aureola para ti y en todo caso para tus amigos. Y eso no es justo. Hay que ser generoso y desear el bien de los otros. No sólo en eso de la aureola sino en todo. Tu sabes? Si fueras mayor, me comprenderías. Todo lo que vive merece respeto y amor. Lástima. Un día serás mayor. Y quizà seguirás siendo egoísta y orgulloso. Y yoo no me atreveré a hablarte, hermano. Por eso te hablo ahora. Te vere´quando seas grande y no sabré que decir. Porque seré tan inferior a ti que me dará vergüenza mirarte. Oye-me bien, ahora. Podemos tenerlo todo, pero todo lo perdemos en la vida. Todo menos lo que hemos dado voluntariamente. Es decir, que sòlo la generosidad y el amor nos salvan, hermanito. Que és el amor? Ante todo, el deseo de no ser más que los otros y de hacer lo que nos toca en la vida...’

Sobre isso, o que poderíamos discutir! Mas eu acredito que nem todos os adolescentes carregam já a mediocridade que virá a vitimar a maior parte deles: a mesquinhez dos que, ao longo dos anos, se limitam a envelhecer... a imitar tantos desses palhaços que esbracejam, a meio de um ciclone que arrasta inocentes: humilhados e ofendidos, um povo empobrecido e esquecido...