quinta-feira, 2 de abril de 2009

Versos (esquecidos?) de Eugénio de Andrade, conversa com destinatário


Há muitos anos, quando andava em bolandas com a minha adolescência e encontrara a menina que, depois, se fez mulher e me acompanha há 5 décadas; no tempo em que tudo nos fala e vem habitar os nossos sonhos; nesses dias longos, que tardam a começar e nunca findam; na idade que nos diz imortais e nos acena com o terror da morte (minha mãe segredava: “tu nunca morres” e eu apertava-lhe a mão e abraçava-a, qu’é do perfume de minha mãe?!) –um dia, surgiu a poesia de Eugénio de Andrade e li-a e reli-a e copiei-a, nas cartas que enviei, à minha amada... Os anos passam, passam, passam. Hoje, abri um livro lindo, com belas e delicadas ilustrações de Manuel Ribeiro de Pavia, que já não consta da bibliografia de Eugénio: Adolescente. Ora aqui vai, tal qual (ou seja: sem correcções ortográficas), um bem de Deus:

Não me dóe pensar na morte,
Porque hei-de morrer no inverno.
Não quero que chorem.
As lágrimas não serão precisas
porque a minha morte
é uma coisa tão natural como a minha vida.
A ti,
que pensas não poder viver quando eu partir,
deixo-te uma certeza: eu voltarei.

Voltarei naturalmente,
como as primeiras folhas verdes

que o sol desencanta da neve.
Não chores.
Eu voltarei mesmo sem as tuas lágrimas.
Basta apenas que haja Primavera.


E esta pérola, roubada a outro poemeto:

Uma noite,
tocando os teus seios adormecidos,
esqueci-me da hora de voltar para casa.
E todos os mistérios do mundo
cabiam nos teus seios pequenos
que as minhas mãos acariciavam
como passaritos acabados de voar...

Esse livro (esquecido?) data de 1942; descobri-o, e devorei-o, em 1957. O malogrado Grangeio Crespo (quem se lembra de Grangeio Crespo?) dedicava todos os seus livros a uma mítica Ela; eu dedico o que acima escrevo e transcrevo a uma Ela real, de carne e osso e alma, companheira única, amor de uma vida.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Homenagem a Manuel A. Pina

O Sabugal vai homenagear, no próximo dia 5 deste mês, Manuel A. Pina. Todas as pessoas que apreciam um jornalismo lúcido, corajoso, independente, honesto, inteligente -e têm necessidade de ler textos sérios e verdadeiros e limpos- devem associar-se a essa homenagem. Manuel A. Pina é um intelectual excepcional. Um jornalista de primeira qualidade. Um poeta admirável. Aqui deixo um grande abraço ao camarada que tenho a honra de conhecer e seguir há mais de 30 anos! Neste deserto, onde a hiopocrisia, a corrupção, a política de farsantes, nos aldrabam e sufocam, Manuel A. Pina é ponto de referência precioso. Bem haja!

Uma mulher da sua idade



1


Liliana ria, com as pernas apoiadas na cadeira da frente, exuberante, os olhos azuis cor de mar a brilharem. Sentia-o preso. Tinham-se encontrado há um ano, em casa de amigos. Não se conheciam, apesar das cartas que lhe escrevera e a que não respondera. E ali estava, como prometido. Nunca acreditara e a fidelidade à palavra lisonjeava-a. Viera só por ela?
-Liliana...
Absorto na beleza do corpo, esqueceu a pergunta. Ela pousou na mesa o copo de chá frio e espreitou-o através do cabelo loiro fino, que lhe tapava a cara.
-Sim?...
Ele atirou, ao acaso:
-Os exames?...
Na esplanada do “Florian”, a orquestra tocava as músicas de sempre. Os turistas enchiam Veneza e os habitantes abandonavam a cidade, a fugir ao calor de Julho. Também ela iria de férias.
-Quinta-feira saem os resultados. E os teus processos?
-Dão trabalho...
Advogava em Lisboa. Ganhava dinheiro e gastava-o. Era um homem sem compromissos, habituado a viver como queria. Tinham-lhe apresentado Liliana, numa festa, em Bolonha.
-...de Veneza, estuda literatura e escreve poesia...
-Ah!
Era ainda quase uma adolescente, provinciana, deslocada, pouco à vontade no vestido de seda e nos sapatos de salto alto.
A meio da noite, Olga Ravà, a dona da casa, irónica, provocou-o:
-Não conversas com a pequena? Não te agradam as intelectuais?...
Reparou em Liliana, que lhe sorriu, a pedir apoio. Foi ter com ela e sentou-se ao seu lado. Ela sorriu-lhe.
-Não é italiano, pois não?...
E transformou-se, ganhou confiança, levantou a voz. Ouvia-a e observava-a. A frescura e a juventude dela enchiam o vazio da festa. Tinha a simplicidade, que faltava aos outros.
-Tu escreves poemas?...
Liliana hesitou e deixou de sorrir:
-Não me leva a sério?
-Não te levo a sério?!
-Acha-me muito nova?
Ele riu-se.
-Por que é que não me tratas por tu?
-Está bem...
E lançou-se num discurso agressivo, por vezes, excessivo, deslocado. Frederico não a interrompeu, divertido Ela soltava-se, procurava atrair a sua atenção, exibia-se, com avidez reprimida.
Do outro lado da sala, Olga gritou:
-Então?...
E piscou-lhe o olho. Frederico agarrou-lhe no braço e levou-a até o terraço, a protegê-la. Liliana nem dera por Olga e continuava a falar.
Quando se separaram, já de madrugada, Frederico disse-lhe:
-Um dia, vou ter contigo a Veneza. Gosto muito da tua cidade...
-Da minha cidade ou de mim?...
-Das duas!
-Porquê?
-Porque são as duas muito bonitas. Encontramo-nos daqui a um ano.
Tocou-lhe, ao de leve, nos cabelos embaraçados pelo vento, a despedir-se.




2




As luzes acenderam-se, no café e na praça de São Marcos. Viu os últimos raios de sol inflamarem os mosaicos da Basílica, os quatro cavalos de bronze e os ombros nus de Liliana.
-“Se ela soubesse o que tem! O que vale a sua juventude!... Só pensamos nisso depois...”
Instintivamente olhou o relógio, lembrou-se de Emily, que o esperava no hotel. Não lhe apetecia perder o entardecer nem deixar Liliana.
-Ficamos mais um bocadinho?
-Tens de ir? -perguntou Liliana, como se adivinhasse.
-Não, pelo contrário...
-Eu não tenho pressa nenhuma. Até quinta descanso!...
E a agarrá-lo:
-É bom falar contigo!
-E os teus amigos?...
Ela fez um gesto vago.
-Os meus amigos! Não falam de nada...
-Eh!, que exagero!
Sentia-se feliz naquele momento e porque sabia que nunca se repetiria e não tinha a certeza de voltar a ver Liliana, não quis ir embora. Ela fora o pretexto para ele voltar a Veneza? Talvez. Não lhe interessava mais do que outras. Mas, agora, estavam bem juntos. Esqueceu o compromisso e, quando chegou ao hotel, já era tarde.


3



No átrio vazio, o porteiro, atrás do balcão, recebeu-o de olhos baixos. Frederico pediu-lhe que ligasse para o quarto de Emily.
-A senhora não atende chamadas.
-Não atende chamadas?! Diga-lhe que sou eu!
O outro debruçou-se:
-Ela está muito triste...
E, perante o desalento de Frederico, aconselhou:
-Telefone à amiga, talvez a convença...
A amiga também não atendeu.
Sentiu remorsos e revolta: como se atrevia? Não andara com ela ao colo, a mostrar-lhe Veneza? Toda a manhã a suportar-lhe a angústia e dava-lhe com a porta na cara!...
O porteiro abriu os braços:
-Não veio por causa da senhora, pois não?...
Por causa dela?
-Oh!... Não!



4




Conhecera Emily essa manhã, na salinha do hotel. Viu-a sentada, a folhear uma revista. Cumprimentou-a. Uma mulher da sua idade. O vestido estampado e o corpete justo, a saia pregueada, aberta em sino, que lhe desenhava as pernas, sublinhavam as formas maduras, cheias. Usava uma fita de veludo vermelho a segurar-lhe o cabelo preto ondulado, um colar colorido e sapatos rasos de bailarina. No entanto, a expressão confiada, os modos simples não condiziam com a roupa. Percebeu, nela, cansaço e expectativa ansiosa. Tomaram o pequeno almoço à mesma mesa. Juntou-se-lhes a amiga de Emily, uma ruiva alta, trança espessa sobre as costas. Tinha um olhar frio e seco.
-Rosalind...
Duas americanas de New Jersey, pela primeira vez em Itália. Trocaram as banalidades do costume. Frederico falou de Veneza e ofereceu-se para as acompanhar. Emily aceitou.
-Mas não dá muita maçada?...
-Nenhuma...
-Veneza é uma cidade muito, muito sensual...- comentou Rosalind, enquanto barrava as torradas.
Emily baixou os olhos.
-Que ideia! O mais importante não é isso! -protestou Frederico.
Ela continuou, imperturbável:
-Não é a terra do Casanova?
-Leu as memórias?
-Vi um filme.
-Qual?
-Não me lembra, mas mostrava tudo.
-Tudo, o quê?
-Os costumes muito especiais, as poucas vergonhas.
Achou-a uma idiota. Quem o mandava aturá-las? Apeteceu-lhe levantar-se e ir embora. Olhou em volta. Os móveis pesados, os reposteiros de damasco, a conversa descosida fizeram-no ter saudades das praças soalheiras e do movimento das ruas. O hotel, a Pensione Accademia, na antiga embaixada da Rússia czarista, encostada ao Rio delle Meraviglie, guardava um estilo de outros tempos, que, não fora o jardim, sufocava. Além disso, as duas solteironas de New Jersey estragavam-lhe a manhã. Emily apercebeu-se e interrompeu:
-Vou arranjar-me. Se quiser esperar um bocadinho...
Acabaram por sair sozinhos, Rosalind escusou-se. Emily explicou:
-Ela está mal disposta.
E passou adiante. Olhava Veneza com alegria desprevenida e, no entusiasmo, arrastava-o. Ele reparou que não precisava, de facto, do vestido berrante, nem do colar de missanga. A maneira como se confiava e a doçura bastavam para o atrair. Passou-lhe a mão pelos ombros e chegou-a a si. Ela encostou-se a ele e deixou-se levar. Andaram por ruas sem gente, acompanharam canais desertos, demoraram-se em praças humildes.
-Vou mostrar-lhe a Veneza que os turistas nunca viram... –dissera-lhe.
Emily agradecera. Esquecera a tristeza.
-Tão bonito! –repetia- Tão bonito!
A meio de uma rua deserta, soltou-se e ensaiou um passo de dança, os braços erguidos em arco, os dedos enlaçados, que seria ridícula se fosse outra mulher. Tapou a cara, a rir envergonhada e Frederico aplaudiu.
Quando chegaram ao terraço do campanário de São Marcos e se debruçaram, a admirar a laguna, perguntou-lhe:
-Não tem ninguém?
-Já tive...
-Há muito tempo?
-Não. Há pouco...
E apontou a ilha de S. Giorgio Maggiore.
-Como se chama aquela ilha?
Pareceu-lhe, outra vez, inquieta, que havia, nela, uma ferida em que não queria mexer.
-Veneza... Quem me dera viver aqui. Longe! Começar, outra vez... Veneza é tão bonita! -disse, antes de Frederico responder.
E acrescentou, crispada:
-A vida tem coisas boas e más. Muito más... Não é fácil. Obrigada. Obrigada por me trazer aqui.
-Não gosta da América?
-Nem quero pensar que vou voltar.
E corrigiu:
-Não se assuste! Não é grave!
Os olhos escuros estavam marejados de lágrimas. Sorria-lhe, desprotegida, frágil. Abraçou-a. O seu corpo abandonou-se. Beijou-a na a boca, mas ela resistiu. Ele tentou prendê-la e ela empurrou-o. Ficaram a fitarem-se e de mãos presas. Ela limpou a boca e encostou-se ao parapeito. No regresso, não falaram no que acontecera. Antes de entrarem no hotel, Frederico agarrou-lhe no braço:
-Quer jantar comigo?
-Jantar? –respondeu, a fugir com os olhos.
E aceitou, outra vez virada para ele.
-Por que não?
-Sim, por que não? Vamos a um restaurante tranquilo, na Giudecca. Tem uma bela vista sobre a cidade.
Emily disse que sim, com a cabeça.
-A que horas?
-Venho buscá-la às oito.


5



Esquecera-se, ela recusava-se a falar-lhe e o porteiro estendia-lhe a chave.
-Guarde a chave! Até logo!
Dias mais tarde, quando já desistira de a procurar, encontrou Emily e Rosalind, de malas, no cais da Accademia.
-Emily!-exclamou, aprensivo..
Ela não respondeu.
-Telefonou-me um amigo e atrasei-me... Era um assunto importante. Desculpe!
Emily fitou-o, irónica e amarga:
-Muito importante? Não pense nisso! Já passou.
-Vai-se embora? Não fique ofendida. Desculpe...
E, sem convicção, deu um passo, insistiu:
-Emily! Escreva-me! Não se esqueça!
Ela pareceu hesitar.
-“Desistiu?...”
Mas entrou no barco, que iniciava a curta viagem até Piazzale Roma.
-Deixe-a! Você ofendeu-a! –gritou Rosalind, especada no convés- Deixe-a!
O gasolina afastou-se e pareceu-lhe que Emily se virara e lhe fizera adeus, mas a imagem perdeu-se no bulício do Grande Canal e, com ele, o rosto transparente de Emily, marcado e ainda preso à juventude que fugia.
-Que história!
Acendeu um cigarro e aspirou o fumo. Lembrou-se de que não lhe pedira a morada, nem o número do telefone. Esteve um instante a olhar. Depois, encolheu os ombros e virou as costas.

in Um Inverno em Marraquexe












Ainda o Bispo (até quando?) de Viseu...

Bem, este texto da RTP prova que não tive nenhuma alucinação...
O comentário que escreveu no site da diocese de Viseu - sobre as declarações do Papa na sua visita a África a condenar o uso do preservativo, alegando que não resolve o problema da Sida como ainda o agrava - defende que "quando a pessoa infectada não prescinde das relações e induz o(a) parceiro(a) (conhecedor ou não da doença) à relação, há obrigação moral de se prevenir e de não provocar a doença na outra pessoa". D. Olídio Leandro considerou ainda que, nesse caso, "o preservativo não somente é aconselhável como poderá ser eticamente obrigatório".Esta reacção suscitou uma polémica com o Vaticano que, através do director da sua sala de imprensa, Frederico Lombardi, afirmou, de acordo com o Diário de Notícias, que "o assunto é muito delicado, pelo que os comentários terão de ser feitos pelas autoridades competentes, de um modo mais correcto, e na sede apropriada".D. Ilídio Leandro desvalorizou a posição assumida pela Santa Sé. "O Vaticano está muito interessado é em mim, porque naturalmente somos uma família, como vocês todos. Agora que o Vaticano esteja interessado em me pôr uma multa", afirmou."O que eu escrevi está legível, está disponível e, portanto, não tenho outra coisa a acrescentar àquilo que escrevi", acrescentou o responsável da Igreja Católica no distrito de Viseu.O bispo afirma ser um homem da modernidade apostado em que a Igreja que representa e abraçou se mantenha actualizada em relação à sociedade dos nossos tempos, dando respostas actuais a problemas actuais.A Igreja deve saber-se adaptar aos tempos em que vive. É assim que D. Ilídio afirma respeitar muito a Idade Média "para as pessoas que viveram a Idade Média". A Igreja Católica, na sua opinião, cumpriu então, como hoje, "uma missão espectacular". Não escamoteia que houve excepções como ao caso da Inquisição, de que a Igreja se não deve orgulhar.Por outro lado, afirmou respeitar "o século XXI para as pessoas que vivem hoje no século XXI". "Também no século XXI eu gostaria, e da minha parte farei tudo, para que a Igreja esteja também actualizada em ordem à relação com a pessoa humana e com a sociedade humana também à medida do século XXI", assegurou."É uma coisa que eu acredito que é possível e vamos todos - eu, leigos, padres da minha diocese - tentar", acrescentou.Um Bispo católico a defender o divórcioÉ nesse sentido de modernidade e de actualização da Igreja católica que o Bispo de Viseu continua a desassombrar quem o ouve. Na segunda-feira participou num debate cujo tema central era a violência doméstica. Mal da sociedade que tem conhecido, senão um incremento, pelo menos um maior número de casos conhecidos e denunciados e causador de grandes angústias e sofrimentos nas famílias portuguesas.D. Ilídio não tem dúvidas. Nos casos em que exista violência doméstica, a única solução para este homem da Igreja é a dissolução do matrimónio, ou seja, o divórcio.É uma posição que não é muito habitual nos representantes da Igreja que defende que quando dois seres se unem pelos laços do matrimónio sob os auspícios de Deus, é para o bem e para o mal, é "até que a morte os separe".

O Bispo de Viseu

O Bispo de Viseu não condena, em certas circinstânciaso, o uso do preservativo. Até quando será Bispo o Bispo de Viseu?...
(censurado, por mim, uma vez que fiquei na dúvida acerca do Bispo e da sua (dele) aceitação, em certos casos, do divórcio... mas lá que li, li... Se alguém souber a verdade, mande dizer, agradeço)

Também não é mentira, ainda que possa parecer...


A memória é de geometria infinitamente variável e, sempre que os propósitos não se compadecem com escrúpulos, como acontece na guerra, a História pode ser escrita, reescrita e apagada à medida das conveniências. Foi assim que a Orquestra Juvenil Palestiniana "Cordas de Liberdade" (bonito nome…) foi agora dissolvida pelas autoridades de Jenin, na Cisjordânia, por ter tocado para um grupo de sobreviventes do Holocausto.
Compreende-se: para quem, como certos movimentos islâmicos e seus simpatizantes na extrema-esquerda e extrema-direita europeias, o Holocausto nunca existiu, ou foi um "pormenor", também não podem existir sobreviventes do Holocausto. Ora tocar para inexistências é impróprio de uma orquestra juvenil, pelo que também ela deve passar a não existir. Se o próprio Estado de Israel ainda existe é porque o longo braço da ontologia islâmica lá não chega. Chega já, porém, ao Reino Unido, onde o Holocausto e as Cruzadas foram retirados dos programas de História com medo (o medo, esse mestre mudo, sempre foi o grande educador dos infiéis) de ferir a "sensibilidade" da comunidade islâmica.
Manuel A. Pina, in Jornal de Notícias

O dia de hoje...

Esta não é a mentira do dia 1 de Abril: estamos todos à rasca.
Versão mais comedida (?): o estado da Nação é lastimável.