Organizando um bocadinho -poderia lá ser uma organização ‘decente’,
os milhares de livros que enchem a nossa casa são rebeldes e mudam de lugar a toda a hora!…- mudei volumes e eis
que topo “Siddharta” (assim está na capa), de Hermann Hesse.
É uma edição da Frassinelli, datada de 1973; na página
interior de título, escrevi: “Roma, 12 de Abril de 1975, no fio da navalha”.
Porquê no fio da navalha? Julgo saber porquê mas fica comigo.
Chegara a Itália no
dia 9 de Janeiro do mesmo ano e já muitas coisas haviam acontecido.
Muitas boas coisas.
Por que comprara “Sidarta” –assim aparecera escrito em Portugal-?
Porque a oferecera antes da viagem, tal qual ofereci muitos outros exemplares e apetecia-me relê-lo.
Creio que esse romance (?) de Herman Hesse nos tocou a todos,
sobretudo a juventude.
Passados tantos anos, quase 42…, espreitei as folhas, cheias
de sublinhados; escolhi estas palavras:
“…agora és um homem, escolhe a tua estrada. Oxalá possas
segui-la até ao fim, meu amigo. Oxalá encontres a tua liberdade!”

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