terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Hoje e amanhã


Paul Cézanne, 1839-1906


ROSAS E CANTIGAS

Eu hei de despedir-me desta lida,
Rosas? –Árvores! hei de abri-vos covas
E deixar-vos ainda quando novas?
Eu posso lá morrer, terra florida!

A palavra de adeus é a mais sentida
Deste meu coração cheio de trovas…
Só bens me dê o céu! eu tenho provas
Que não há bem que pague o desta vida.

E os cravos, mangerico, e limonetes,
Oh! que perfume dão às raparigas!
Que lindos são nos seios de corpete!

Como és, nuvem dos céus, água do mar,
Flores que eu trato, rosas e cantigas,
Cá, do outro mundo, me fareis voltar.

Afonso Duarte in Os 7 Poemas Líricos, Composto e impresso nas oficinas da Gráfica Conimbriense, em 1929




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