Paul Cézanne, 1839-1906
ROSAS E CANTIGAS
Eu hei de despedir-me
desta lida,
Rosas? –Árvores! hei de
abri-vos covas
E deixar-vos ainda
quando novas?
Eu posso lá morrer,
terra florida!
A palavra de adeus é a
mais sentida
Deste meu coração cheio
de trovas…
Só bens me dê o céu! eu
tenho provas
Que não há bem que
pague o desta vida.
E os cravos, mangerico,
e limonetes,
Oh! que perfume dão às raparigas!
Que lindos são nos
seios de corpete!
Como és, nuvem dos
céus, água do mar,
Flores que eu trato,
rosas e cantigas,
Cá, do outro mundo, me
fareis voltar.
Afonso Duarte in Os 7
Poemas Líricos, Composto e impresso nas oficinas da Gráfica Conimbriense,
em 1929

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