"Nu", obra de Amedeo Modigliani
SONETO DE AMOR
Não me peças palavras, nem
baladas,
Nem expressões, nem alma... Abre-me o seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.
Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas...
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.
E em duas bocas uma língua..., — unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se…
Depois... — Abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada...
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!
Nem expressões, nem alma... Abre-me o seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.
Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas...
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.
E em duas bocas uma língua..., — unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se…
Depois... — Abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada...
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!
José Régio in Biografia, 2ª
edição, Arménio Amado-Editor, Porto, 1939

Não conhecia este afã de amor activo em Régio. E tenho todos os seus poemas. Mas também é verdade que não dou particular interesse ao lado prático ou às formas - sempre tão parecidas - como cada um vive ou sonha viver o sentimento.
ResponderEliminarPrefiro o nú acintoso de Modigliani. É muito belo.