terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Bom dia com o génio de José Régio



"Nu", obra de Amedeo Modigliani





SONETO DE AMOR

Não me peças palavras, nem baladas, 
Nem expressões, nem alma... Abre-me o seio, 
Deixa cair as pálpebras pesadas, 
E entre os seios me apertes sem receio. 

Na tua boca sob a minha, ao meio, 
Nossas línguas se busquem, desvairadas... 
E que os meus flancos nus vibrem no enleio 
Das tuas pernas ágeis e delgadas. 

E em duas bocas uma língua..., — unidos, 
Nós trocaremos beijos e gemidos, 
Sentindo o nosso sangue misturar-se… 

Depois... — Abre os teus olhos, minha amada! 
Enterra-os bem nos meus; não digas nada... 
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce! 

José Régio in Biografia, 2ª edição, Arménio Amado-Editor, Porto, 1939

1 comentário:

  1. Não conhecia este afã de amor activo em Régio. E tenho todos os seus poemas. Mas também é verdade que não dou particular interesse ao lado prático ou às formas - sempre tão parecidas - como cada um vive ou sonha viver o sentimento.

    Prefiro o nú acintoso de Modigliani. É muito belo.

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