Obra de Luís Dourdil
Eis outro
esquecido: Bernardo Santareno, certamente, um doa maiores dramaturgos do século
XX e da nossa dramaturgia.
É o preço
que fazem pagar os literatos que devoram quem estava e são, dep+ois, devorados
pelos que vêm vindo…
Fui buscar a
um dos seus primeiros livros de poemas -arte que abandonou cedo-, Romance
do Mar,1955, Edição de Autor , e
escolhi duas passagens de Rapariga da
rosa encarnada:
Todos os dias sobe a pé
a ladeira
da Senhora da Nazaré:
Azul
a saia rodada,
no peito uma rosa encarnada…
Ai, amigo, quem me dera
pescar os dois peixes vivos
que ela leva cativos
no mar bravo onde navega
aquela rosa encarnada…
ai amigo, quem pudera!
É tempo de arrancar
ao silêncio a sua esplêndida obra.
Bernardo Santareno (1920-1980)


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