quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Amanhã é mais um ano...


O sonho de um adolescente... digo eu que escolhi este pormenor de um quadro de Manet



Com a data de 20 de Outubro de 1957, recebi uma carta de José Régio e, dela, vos confio estas palavras:

“Afigura-se-me que, na vida da maior parte dos homens, -a adolescência e a juventude ainda são a melhor época. Depois vem a tal vida prática, e o egoísmo, e o arranjismo, e a acomodação, e o cansaço…”

Estamos à beira de outro ano, de um novo ano. Novo? Em quê? No declinar da nossa vida, no perder a tal adolescência e a tal juventude, que refere o Régio como idade de oiro?

Sim, acreditei nele, quando li a carta e ao longo da vida: a coisa pior que nos pode acontecer é enterrar os sonhos da nossa adolescência e da nossa juventude.



Oxalá me leia um adolescente ou um jovem a lutarem pela preservação das suas almas puras; oxalá me oiça um crescido cujos dias são mortos e desencantadores –esses dias passados no tal comboio cheio de condenados a irem-se desfazendo, dia-a-dia.

Não queiras ser um(a) crescido(a), não te atraiçoes!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

No tempo do "génio" de compra e venda...


O intelectual à procura da estrada para o sucesso e para a libra...


Em Novembro de 1938, saiu mais um exemplar da fabulosa presença, que reúne os números 53-53; dele consta, assinado por José Régio, o longo e polémico artigo Página Indiscreta, “Sagesse” do Chiado ou as Luzes da Cidade.

77 anos depois, o texto, escrito com ácido sulfúrico, parece-me tristemente actual; aqui vos deixo estas passagens em que o poeta denuncia os literatos, cabeças do mundo literato, roubando-lhes a voz e os pensamentos e expondo-os, em tudo aquilo que têm de ridículo e idiota:

“Não se pode crer, é facto, que Victor Hugo ou Baudelaire, Milton ou Dante, Kant ou Schopenhauer, Dickens ou Tolstoi, fossem nulidades completas. Mas viveram noutro tempo! Além de que não frequentaram o Chiado.

(…)E deixemo-nos de hipocrisias, caramba! O que mais importa a quem, de qualquer modo, se apresenta a público, não é ser do seu tempo, conhecido pelos seus contemporâneos, integrado na sua época, recompensado em vivo?”

Assim falavam os zaratustras da época -1938; assim falam os zaratustras de hoje, que por aí andam, a trocar favores -io do una cosa a te tu dai una cosa a me-, cuidando bem ser desta pobre época e satisfazer os gostos da massificada multidão vigente.       


Bom dia comGustave Caillebotte

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Bom dia!



Fra Angelico: pormenor, um rosto de jovem mulher que justifica a vida...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Um milagre há muito esperado!


in Público de hoje

O adeus ao Outono...


Obra de Graham Gercken, pintor australiano

domingo, 27 de dezembro de 2015