quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Dois livros admiráveis






Norberto Rodrigues publicou, agora, dois livros que traduzem a sensibilidade, a ironia e o talento de fixar, num golpe, as grandes e as pequenas belezas, as doridas pobrezas.

As fotografias de “Trajectos”, um álbum admirável, confirmam o singular artista que ele é, oscilando entre o poético e a crua realidade. Fala da solidão dos homens; do desencontro; da indiferença forçada e da busca de um sentido para o dia-a-dia -esse acumular de instantes cuja verdade se perde no túnel dos movimentos e esbarra na escuridão do infinito que não se revela nem se deixa agarrar. E as legendas que acompanham cada imagem ajudam a que nos aproximemos do quase etéreo.

O tocante livrinho de contos/memórias -“E dos fracos rezam as histórias”- reafirma o dom de captar o essencial, já patente em “Trajectos”, agora com fortes tintas de nostalgia ferida pela crua realidade. Os seus contarelos –e recorro a Irene Lisboa que elegeu esse termo como título de um belo conjunto de historietas-, quase sempre tocam a dura denúncia dos gestos improfícuos; dos gestos e “aventuras” inconsequentes que, no entanto, vencem a inconsequência e o insensato e nunca se transformam em falhanços porque é do humano rebolar na vida vestido de histrião involuntário –e porque é sincera a procura obstinada do modo  se soltar cada um da roupa de histrião e abraçar os sonhos. Há, também, a pureza: a ingenuidade dos que acreditam no maravilhoso escondido nas coisas mais simples e senhoras de um tesouro qualquer.


Eis duas obras que não deveis perder. Impressionaram-me. Aqui te deixo este breve e incompleto apontamento. 

       Norberto Rodrigues

O genial veneziano

O que se passa, hoje, na Europa:? Breves extractos do diálogo, em Roma, do 1º mimistro italiano, Matteo Renzi (40 anos) com o 1º ministro grego, Alexis Tsipras (40 anos)



Disse Renzi: “O triunfo de Tsipras é a mensagem de esperança de uma geração inteira que sofre, uns porque não encontram trabalho, outros porque o perderam; e, de uma maneira geral, porque querem voltar a acreditar na política.”


Disse Tsipras:  “A nossa geração foi o falhanço de políticos equivocados, foi uma geração inteira que sofreu e que se viu obrigada a emigrar para sonhar e viver dignamente”

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Desde a primeira hora, o governo de Passos Coelho não fez mais do que vender todas as fontes de receita do nosso país, a EDP e por aí adiante, na forja a TAP, CTT, CP, entre muitas outras. Alguém ganhou milhões com isso? Certamente –mas não o Estado: não os portugueses que… são o Estado. Temos vindo a assistir a um crime organizado.


O luto da bandeira portuguesa tende a alargar


“…a meio de uma crise de deflacionismo não é muito inteligente vender as jóias da família a troco de bagatelas. Foi ao que se recorreu com a lotaria nacional [euromilhões], uma vaca leiteira para o Estado. (...) Na nossa opinião, é mais sensato desenvolver os bens do Estado a fim de aumentar o seu valor, recorrendo a meios de financiamento inteligentes que reforcem a nossa economia.”


Yanis Varoufakis, ministro das finanças da Grécia, em entrevista a Le Monde de hoje

Onde param os quadros de Miró que estavam (estão?) em Portugal: o silêncio cobre o quê?