quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Dois livros admiráveis
Norberto Rodrigues
publicou, agora, dois livros que traduzem a sensibilidade, a ironia e o talento
de fixar, num golpe, as grandes e as pequenas belezas, as doridas pobrezas.
As fotografias de
“Trajectos”, um álbum admirável, confirmam o singular artista que ele é,
oscilando entre o poético e a crua realidade. Fala da solidão dos homens; do
desencontro; da indiferença forçada e da busca de um sentido para o dia-a-dia -esse
acumular de instantes cuja verdade se perde no túnel dos movimentos e esbarra
na escuridão do infinito que não se revela nem se deixa agarrar. E as legendas
que acompanham cada imagem ajudam a que nos aproximemos do quase etéreo.
O tocante livrinho de
contos/memórias -“E dos fracos rezam as histórias”- reafirma o dom de captar o
essencial, já patente em “Trajectos”, agora com fortes tintas de nostalgia
ferida pela crua realidade. Os seus contarelos –e recorro a Irene Lisboa que
elegeu esse termo como título de um belo conjunto de historietas-, quase sempre
tocam a dura denúncia dos gestos improfícuos; dos gestos e “aventuras” inconsequentes
que, no entanto, vencem a inconsequência e o insensato e nunca se transformam
em falhanços porque é do humano rebolar na vida vestido de histrião
involuntário –e porque é sincera a procura obstinada do modo se soltar cada um da roupa de histrião e
abraçar os sonhos. Há, também, a pureza: a ingenuidade dos que acreditam no
maravilhoso escondido nas coisas mais simples e senhoras de um tesouro
qualquer.
Eis duas obras que não
deveis perder. Impressionaram-me. Aqui te deixo este breve e incompleto apontamento.
Norberto Rodrigues
O que se passa, hoje, na Europa:? Breves extractos do diálogo, em Roma, do 1º mimistro italiano, Matteo Renzi (40 anos) com o 1º ministro grego, Alexis Tsipras (40 anos)
Disse Renzi: “O triunfo
de Tsipras é a mensagem de esperança de uma geração inteira que sofre, uns
porque não encontram trabalho, outros porque o perderam; e, de uma maneira
geral, porque querem voltar a acreditar na política.”
Disse Tsipras: “A nossa
geração foi o falhanço de políticos equivocados, foi uma geração inteira que
sofreu e que se viu obrigada a emigrar para sonhar e viver dignamente”
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
Desde a primeira hora, o governo de Passos Coelho não fez mais do que vender todas as fontes de receita do nosso país, a EDP e por aí adiante, na forja a TAP, CTT, CP, entre muitas outras. Alguém ganhou milhões com isso? Certamente –mas não o Estado: não os portugueses que… são o Estado. Temos vindo a assistir a um crime organizado.
“…a meio de uma crise de deflacionismo não é muito inteligente vender as jóias da família a troco de bagatelas. Foi ao que se recorreu com a lotaria nacional [euromilhões], uma vaca leiteira para o Estado. (...) Na nossa opinião, é mais sensato desenvolver os bens do Estado a fim de aumentar o seu valor, recorrendo a meios de financiamento inteligentes que reforcem a nossa economia.”
Yanis Varoufakis,
ministro das finanças da Grécia, em entrevista a Le Monde de hoje
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