sexta-feira, 12 de abril de 2013

Massa cinzenta


Pergunta este jovem: "Que vai ser da minha vida?"

Todos os portugueses sofrem o abismo de pobreza em que todos os dias se sentem mais enterrados.

Sofrem a impossibilidade de se sustentarem, de sustentarem a família –sofrem, quando pensam no futuro dos seus filhos.

A juventude sofre e acha-se entregue a uma espécie de bicharada, apelidada de governo.

Esse invoca a crise, para justificar o desastre do seu péssimo governar: em dois anos, tudo andou muito, muitíssimo para trás.

Crise?

Fala-se, aponta-se a Alemanha, como exemplo da victória –ou luta positiva contra a crise.

E leio, em Le nouvel Observateur:

“O segredo do reino do Mercedes para resistir à crise? Investir na massa cinzenta.”

Facilíssimo de entender: investir no ensino.

Limito-me a perguntar-te: e aqui, como vai o ensino?

Uma morte prematura: Jean-René Huguenin

Jean-René Huguenin


No Le nouvel Observateur da semana passada topei um artigo/notícia de Jérôme Garcin, crítico inteligente, sensível e aliterato, sobre o livro de Jérôme Michel, Un jeune mort d’autrefois. Tombeau de Jean-René Huguenin.

Foi breve, a vida de Huguenin: 26 anos –morreu ao volante, um Mercedes 300 SL, no dia 22 de Setembro de 1962.

Então, soube da sua existência e do seu único livro, La Côte Sauvage.

Era, quando morreu, uma promessa da Literatura Francesa, saudado e elogiado, de François Mauriac a Louis Aragon. Surpreendera escritores daqui e dali .

Só comprei o livro, que me deslumbrou, apaixonou, em 1964.

Ainda hoje o releio, tal qual o seu Journal (Diário), publicado nesse mesmo ano de 1964.

Sobre Huguenin escrevi, no extinto Diário Popular, e noutros lugares, ao longo dos anos.

Impressionou-me, tocou-me fundo, a sua força, a beleza das suas páginas, a independência e a coragem.

Naturalmente, já encomendei a obra de Jérôme Michel (Éditions Pierre-Guillaume de Roux, 192 pgs., 19,90 euros).

Transcrevo do Journal de Huguenin, duas passagens; a primeira, datada de 14 de Setembro de 1958:

“(…) uma raça que odeio, a raça do intelectual obcecado pela linguagem, a palavra pela palavra, fechado em si próprio como um parafuso sempre crescente, completamente cortado do mundo, envolvido e vestido de literatura, protegido das soberbas fecundas feridas da revolta.”

A segunda passagem, datada de 20 de Setembro de 1962, dois dias antes do acidente que o vitimou:

“Antes de tudo, reencontrar a minha força e o meu coração. O inferno é agirmos contra a nossa vontade. (…) Não hesitar, nunca mais recuar diante de nada. Ir até ao limite de todas as coisas, sejam elas o que forem. Não ouvir senão o próprio imperialismo.”

Passados 51 anos, esse jovem que morreu antes do tempo, é preciosa e dramaticamente actual. 

    

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Aguenta o dia!

Erlich in El País

"Amanhece na Europa"

quarta-feira, 10 de abril de 2013

terça-feira, 9 de abril de 2013

A pessoa humana em vias de extinção

El Roto in El País de hoje

"-Temos nomes e apelidos mas chamam-nos demografia.

O jornalismo do terror




Nunca o cidadão terá sofrido tanto como hoje, cada vez que abre um jornal ou segue televisões e rádios.

Apanha em cima com as notícias mais violentas, assustadoras e, as mais das vezes, deturpadas ou inventadas, assentes no boato e no gosto perverso de afligir o próximo.

Um amigo meu dizia-me, há dias:

“Parece que estamos a viver um filme de terror!”

E é verdade.

Do mais grosseiro Hitchcock, recheado de suspense e susto.

O português entra, todos os dias, numa arena sádica, em que o picador o sangra, até que ele caia exausto, inerme, incapaz de reagir.

E logo, infelizmente, chega a verdade: a sangria real: o saque dos seus pobres bens, a imposição indiscriminada de novos cortes, impostos, roubos mal disfarçados.

Verdade um nadinha menos assassina do que prometiam as notícias, mas suficientemente brutal para consolidar o colapso anímico do Zé Povinho.  
  

segunda-feira, 8 de abril de 2013