Eça de Queirós (1845-1900)
Eça podia morrer hoje:
é o mesmo dia em que morreu: 16 de Agosto.
Só que passaram 112
anos.
De uma doença
esquisita -morreu o homem- doença que
tem sido discutida, com nomes esquisitos e em latim.
Em Portugal, e o Eça
sabia, há poucas saídas para a vida: o alcoolismo, o suicídio, o tédio… a
resignação de acabar –porque “isto é uma piolheira”…
A primeira pessoa a dizê-lo
foi o rei Carlos I.
Depois, repetiu a
multidão.
O Eça sabia; e à beira
da morte, que adivinhava, pirou-se e foi gastar o dinheiro que lhe restava,
pelos grandes hotéis da Suíça.
Voltou à vivenda de Neuilly, Paris, e morreu.
A tempo.
Não voltou à dita
pátria que não amava.
Isso, de amar Portugal
e quem cá vive, era com o Camilo, não era com ele.
Escreveu a Camilo uma carta,
a ridiculariza-lo, julgava ele, mas percebeu a tempo que seria injusto e
pobre de alma –e não mandou a carta.
Hoje, se fosse vivo,
não caçador do Marão nem sabedor dessas coisas da terra, diante de coelhos e
gaspares, de boliqueimenses e etc., ele,
o admirável Eça, pediria ao estomago que matasse.
Mas que lhe deixasse
tempo para ir assoar-se à Suiça.
Que o resto, lá no
fundo da sua desistência, era a brutal consciência do sem sentido da vida.
Ou a consciência da
sua, dele, inconsequência?