quinta-feira, 17 de maio de 2012

Assim foi...

Morre aos 63 anos com a certeza da eternidade

O roubo prometido

El Roto in El País de hoje


"-Não cumprimos as nossas promessas, mas cumprimos as nossas ameaças."

O que vemos do mundo, o que sabemos dos outros?




Jacques Rivière e Alain-Fournier são duas personalidades muito importantes da Literatura francesa contemporânea.

O primeiro foi um excelente crítico e um dos responsáveis pela revista-movimento La Nouvelle Revue Française, que marcou a primeira metade do século XX.

O segundo escreveu uma obra-prima, sobre a adolescência, Le Grand Meaulnes, clássico sempre procurado.

Mas não é das suas obras que vou falar, nem da revista.

Encontrei, na Correspondance Jacques Rivière/Alain-Fournier (Gallimard), em carta do primeiro ao segundo, a seguinte frase:

“Não acho que o conhecimento de um país, usando o caminho-de-ferro, seja tão insuficiente como dizem. A passagem rápida, através de um vasto país, oferece a possibilidade de entendermos o que nele se poderemos encontrar e de apreender o carácter geral da região.” (9 de Stembro de 1909).

A passagem rápida, diz Rivière!

Não é difícil imaginar a velocidade dos comboios, há cem anos!

O que diriam, hoje, Rivière e Alain.Founnier, diante do TGV, dos carros a 200 à hora… dos aviões, que nos levam, num fechar de olhos, daqui ali…

E pergunto: o que nos ensinam, realmente, as nossas viagens?

A semana passada nos resort, algures na América-Latina ou na Oceania; os três dias em Marraquexe ou em Roma, em Londres ou em Nova-Iorque; os cruzeiros em barcos monumentais, iguais, por dentro, ao nosso quotidiano citadino; que nos trazem, além de mais do mesmo: nomes, paisagens, que logo esquecemos e, à cautela, guardamos nas máquinas fotográficas?…

O nosso tempo da velocidade, da imagem fugaz, da corrida-fuga, é um tempo morto: decadente.

Paul Morand adivinhava-o, quando, em 1941, publicou o profético romance L’Homme Pressé.