quarta-feira, 21 de março de 2012

Os crimes de um fanático


Desde esta madrugada, a polícia especial francesa cerca o presumível assassino de Toulouse


Neste momento, ainda não será possível classificar o provável assassino de Toulouse.

Um desequilibrado? Um fanático?

Um neo-nazi? Um islamista –segundo a imprensa francesa é de origem argelina-?

Ele reclama-se próximo de Al-Qaida.

De qualquer modo, eis diante de nós um crime gratuito e covarde, que não levará a nada senão ao que já levou: à matança de inocentes.

E, seja ele -a ser ele o responsável por essa matança- o que for, eis mais um sinal do desencontro humano, do abismo que nos espreita, a nós todos, cidadãos de um mundo que deitou às ortigas a moral e repôs no trono o Bezerro de Oiro.

Um sinal de uma sociedade que se desacreditou e facilmente é manipulada pelos vendilhões dos templos.  

Segue aqui:

terça-feira, 20 de março de 2012

O que pensa um funcionário público (do Estado) neste nosso país em que o funcionário público é para matar, tal qual o Estado, segundo o governo ultra-liberal que nos assassina


in Público de hoje

A solidão é filha do medo e o medo é filho do egoísmo


Caixões de vivos

Como eu era um pequeno-burguês, não tinhamos vizinhos. Só nos bairros populares é que as pessoas falam de janela para janela, de porta a porta, na rua. Só nos bairros populares é que a pessoas apertam a mão. A gente com dinheiro eventualmente cumprimenta-se na escada. Dizem: “A senhora do terceiro andar tem um cão engraçado”; ou: “Parece que o velhote do quarto andar está a morrer.” De resto, é cada um na sua casa, cada um por si. Só os pobres se encontram, porque são os únicos que se ajudam uns aos outros.”

Claude Roy, in  Moi Je, Gallimard, 1969

Passados 42 anos, a relação humana piorou: é uma esquisita procissão de mortos-vivos...

segunda-feira, 19 de março de 2012

O nazo-racismo de volta



Árabes, judeus, negros ou mestiços... é sempre o Outro, o "diferente" que é odiado...

Lê:

Os amigos sinceros




Continuando a reler Moi Je, o primeiro volume dos ensaios autobiográficos de Claude Roy, deparei com a evocação duma sua amiga, Adrienne Monnier, alfarrabista (e escritora) na Rue de l’Odéon, em plena Rive Gauche parisiense. E saltaram-me aos olhos estas palavras, dir-se-iam destinadas às duas jovens mulheres que criaram a já tantas vezes aqui citada Livraria Lumière, da Travessa da Cedofeita, no Porto:
Gostaria de fazer o elogio dos livreiros que escolheram esse ofício não apenas por necessidade de ganhar a vida mas, também, por paixão pelos bons livros e a alegria de levar os visitantes a amá-los, pois que os visitantes são, ao mesmo tempo, seus amigos e seus clientes.”
E Claude Roy acrescenta:
Adrienne Monnier dizia: “Ser livreiro é, antes de mais, um comércio”. Mas dizia, ainda, que encontrara, em La Ville, de Claudel, a melhor definição daquele que era o seu comércio [não traduzo, por receio de vulgarizar os versos de Paul Claudel]:
“Comme l’or est le signe de la marchandise, la marchandise aussi est un signe/ Du besoin qui l’appelle, de l’effort qui la crée/ Et ce que tu nomes échange, je le nomme communion.”
Comunhão=Amizade... Um grande passo em frente, na estrada da vida.

Olhar o outro


O que possui as riquezas deste mundo e vê o seu irmão na necessidade e lhe fecha as entranhas, onde está nele o amor de Deus?”
1ª Epístola de São João, III, 17

domingo, 18 de março de 2012

O acaso e a necessidade



Uma crise económica atira qualquer indivíduo para as fileiras de um partido que pregue a ordem ou para as fileiras de um partido que pregue a revolução ou para os braços de um ditador.”

Claude Roy, in Moi Je, Essai d’Autobiographie, Gallimard, 1969