segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A economia não é uma ciência, é uma maneira de roubar ou, poucas vezes, de corrigir o roubo...

A lição do dia para os jovens de espírito de hoje


D. Quixote: estaremos vivos enquanto acreditarmos na sua luta


Em Dezembro de 1960, António José Saraiva, exilado político em França, publicou um livro, Dicionário Crítico de Algumas Ideias e Palavras Correntes, imediatamente retirado do mercado pela censura salazarista.

É dessa obra, admirável e actualíssima, que transcrevo as seguintes passagens, arrumadas no capítulo Juventude:

“A sua atitude [da juventude] implica a condenação de uma sociedade que amputa e atrofia as virtualidades do indivíduo e traduz-se por vezes no anseio de uma sociedade mais perfeita, encomendada e construída à medida do homem, organizada para o seu florescimento, e não para o seu sacrifício e mutilação.

(...) neste seu sentimento a juventude não fala apenas por si própria, antes pela totalidade dos homens, inclusive aqueles que já se resignaram à mutilação, e a sua voz é um protesto de espontaneidade da Natureza contra as servidões desumanas.”

E aborda os deveres da pedagogia:

“O educador tem a função de desenvolver as virtualidades do educando, como se o preparasse para a liberdade. Isto só pode agravar o traumatismo da adaptação do jovem a um mundo regido pelo princípio da sujeição. Mas, por doloroso que seja este choque, não há que evitá-lo, porque, entre outras razões, a educação para a liberdade é um factor de transformação da sociedade. Quero dizer que há que fomentar na juventude o seu sentimento de disponibilidade; há que a fortificar na sua utopia; há que conservar o seu potencial transformador.”

E conclui:

“O diálogo entre a juventude e os adultos só teria sentido se uns e outros colaborassem na transformação da realidade social de modo que esta deixe de ser a negação das virtualidades e promessas do jovem. Mas justamente encontramo-nos numa sociedade que condena o jovem a assassinar a sua utopia antes de aceder aos postos donde poderia realizá-la, com ela enterrando a sua juventude. O diálogo não é possível, em condições normais, nesse mundo em que os adultos são cadáveres de jovens.”


***** António José Saraiva dedica o livro a outro exilado, esse, exilado do interior, como tantos, no tempo da peste: António Sérgio, grande esquecido;  e explicita que o dedica porque admira nele "a indelével acção pedagógica, a claridade intelectual e o heróico exemplo".

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Whitney Houston: uma vida queimada










Abre e lê:

http://cultura.elpais.com/cultura/2012/02/12/actualidad/1329024969_070026.html

http://cultura.elpais.com/cultura/2012/02/12/actualidad/1329068079_433948.html

http://www.lemonde.fr/culture/article/2012/02/12/whitney-houston-icone-de-la-pop_1642260_3246.html#ens_id=1642259


http://www.nytimes.com/2012/02/13/arts/music/whitney-houstons-voice-of-triumph-and-pain.html?_r=1&hp

Capitalismo, canibalismo...

El Roto in El País de hoje

Já era tempo!



Fosse ou não fosse a maior manifestação dos últimos 30 anos, é justa e veio devolver ao governo a pieguice que nos atirou para cima e lembrar-lhe que ele é que trota choramingando ao som das troycas...

Com o Terreiro do Paço transformado no “terreiro do povo” contra as medidas de austeridade, Arménio Carlos reclamou hoje na sua primeira manifestação como secretário-geral da CGTP a presença de mais de 300 mil pessoas na Praça do Comércio, em Lisboa, naquela que diz ser “a maior manifestação dos últimos 30 anos”.

in Público de hoje

Ainda o grande russo



Feodor Dostoievski, escultura de S. T. Konenkov (1874-1971)

João Gaspar Simões, no livrinho prenunciador que referi no post abaixo, Temas, cita Gide, a propósito do universo vulcânico de Dostoievski:

Diz André Gide que todas as grandes reformas –morais, sociais, filosóficas ou estéticas- se devem à anormalidade dos reformadores. Assim, Jesus, Maomé, Lutero, Rousseau, Nietzsche, eram epilépticos ou histéricos.”

E, acerca, da riqueza psicológica do russo, escreve Gaspar Simões:

“génio estranho, que fez dizer a Nietzsche: “o único que me ensinou alguma coisa em psicologia...” 

Um monstro da Literatura



Feodor Dostoievski (1821-1881)

Pio Baroja sobre Dostoievski:

Daqui a cem anos, há-de falar-se do aparecimento de Dostoievski na literatura como um dos acontecimentos mais extraordinários do século XIX. Para a fauna espiritual europeia será uma espécie de Diplodocus [espécie de dinosauro]”.

Creio que Baroja -citado por João Gaspar Simões no seu precioso livrinho Temas (1929)- escreveu essas palavras nos princípios do século passado, durante o qual, o grande russo, se impôs universalmente, como um caso único, singular, genial.

Não foram necessários os tais cem anos...