quarta-feira, 23 de novembro de 2016

A criança que vive em nós ou ai daqueles que a afogam dentro de si -porque se afogam...



Na Libreria Antiquaria Umberto Saba, Via San Nicola, 30, Trieste, encontrei um livrinho da autoria de David Rossi, Umberto Saba Trieste (Mimesis Edizioni, Milano-Udine, 2013).

E a páginas tantas, dei com este auto-retrato do poeta:


 “[Sou] a amalgama de uma criança e de um homem reunidos em uma só pessoa: a criança que se maravilha com as coisas que lhe acontecem a ele tornado adulto.”


Assim foi a sua vida, assim é a sua obra, pura e apaixonada.


Pormenor de um quadro de Michelangelo Merisi, dito o Caravaggio 

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

UM GRANDE ESCRITOR LEMBRADO POR UMA GRANDE REALIZADORA






Tomaz de Figueiredo: é esse Mestre da Literatura Portuguesa que Catarina Mourão, uma realizadora de génio, nos arranca ao silêncio.

Pouco se fala de Tomaz de Figueiredo, por razões desonestas –considerá-lo um homem de extrema direita, o que é absolutamente falso-, e por ignorância e sistemático enterro dos nossos artistas a fim de os “novos” lhes ocuparem os lugares.

Exigem-se duas coisas:

-ir ver o filme


-procurar, comprar e ler a obra de Tomaz de Figueiredo, romancista, novelista e poeta dos maiores da nossa Literatura.


sábado, 19 de novembro de 2016

Bom dia, em Trieste, através de Umberto Saba, à data, jovem mas a confirmar o génio...



TRIESTE


Ho attraversata tutta la città.
Poi ho salito un’erta,
popolosa in principio, in là deserta,
chiusa da um muricciolo:
un cantuccio in cui solo
siedo; e mi pare che dove esso termina
termini la città.

Trieste há una scontrosa
grazia. Se piace,
è come un rapazzaccio aspro e vorace,
com gli occhi azzurri e mani troppo grandi
per regalare un fiore;
come un amore
con gelosia.
Da quest’erta ogni chiesa, ogni sua via
scopro, se mena all’ingombrata spiaggia,
o alla collina cui, sulla sassosa
cima, una casa, l’ultima, s’aggrappa.
Intorno
circola da ogni cosa, un’aria tormentosa,
l’aria natia.

La mia citta che in ogni parte è viva,
há il cantuccio a me fatto, alla mia vita
pensosa e schiva.

(1912)

(obra de Guido Marussig, Trieste, 1885-Milão, 1972)




quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Tudo depende de nós


Durante 24 dias, algures em Itália, segui dois jornais, La Repubblica e La Stampa, jornais não criados dos poderes, ou seja, dos dinheiros, e, há pouco, tocaram-me fundo estes versos, breves mas filhos do coração, acordados pelo sangue:

Passoni
Sono fatte di lacrime e di sangue
e di altro ancora.
Il cuore batte a sinistra.
(Umberto Saba, 1947)





(obra de Albin Egger Lienz, Austria, 1868-1926)

Bom dia!



"O dia acorda a noite", obra de Gaetano Previati, 1852-1920, in Museo Revoltella, Trieste