sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Do amor como salvação

Obra de Marc Chagal

João Gaspar Simões tornou-se em escritor maldito.

São ódios herdados e sem fundo, inveja, pressa em enterrar eventuais rivais e sacar-lhes o lugar.

Gaspar Simões foi o maior e mais lúcido crítico da nossa Literatura –mas quem procura as suas obras? Praticamente, ninguém.

É proibido nomeá-lo.

Além de crítico exemplar e único na nossa História, JGS escreveu e publicou obras de ficção narrativa e de teatro.

Mais escondida, ainda, essa sua actividade…

Que importa? Ficou, para sempre e só a mediocridade ou imbecilidade o poderão ignorar.

Não é isso, porém, que me volta a trazê-lo aqui: é esta frase de um dos seus mais ricos contos/novela, Eduarda (1939), parte de A Unha Quebrada, Edições Casa do Livro, Lisboa, s.d., esgotado:

“Quando o tempo mata em nós o amor, tudo parece pequenino e ridículo, mas a verdade é que o amor é dos poucos sentimentos que libertam o homem da sua triste condição vegetativa.”


  João Gaspar Simões, nos anos finais da vida




quinta-feira, 27 de agosto de 2015

As vozes esquecidas


"Jardim das Delícias", obra de Hieronymus Bosch



Este é tempo pobre, tempo estéril e desesperado por isso, porque o sabe e sofre.

Superficial, inconsequente, a agarrar o fácil, incapaz de criar.

Um borbulhar inútil.

Uma fuga.

A impotência e o onanismo que abrem a estrada da soledade e as portas do bordel.

Improvisam-se castelos de areia, que logo se desfazem.

E onde enterraram ou esconderam os que revelaram a alma portuguesa?

Qu’é dos grandes, dos génios, dos Mestres? Qu’é do poeta? Do santo?...

“O poeta e o santo sabem que mais facilmente existe nas regiões sombrias da sociedade e das almas a brasa soterrada capaz de ser claridade, do que naquelas camadas (das almas ou das sociedades) que o egoísmo estreito, o baixo utilitarismo, o cobarde comodismo beato e a estupidíssima felicidade da besta babando-se empederniram.”

Isso escreveu José Régio em António Botto e o Amor, Editora Livraria Progredior, Porto, 1937.

E aqui vo-lo deixo, quando tão pouco ou nada se pensa e escreve a sério.

E pouquíssimo se invoca o genial, precioso escritor…

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Homenagem a Aldo Zari

Até sempre, meu amigo!



Completaria, hoje, 73 anos, Aldo Zari.

A morte antecipou-se e levou-o, deixou-o dormir, algures na Laguna veneziana: a ilha de San Michele.

Ficaram para trás muitos amigos e admiradores, sobretudo, porém, uma vasta e extraordinária obra.


Do dicionário dos grandes pintores italianos, consta já, certamente, o nome de Aldo Zari.

Obra de Aldo Zari



quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Portugal no fim?

A solidão a dois



Não acredito em estatísticas forçadas e os números que nos chegam assustam.

Quantos somos nós, realmente? 6, 7 milhões? E quantos jovens e quantos velhos? E quantos empregados e quantos desempregados? E quantos com vida digna e quantos com vida indigna? Quantos com comida e quantos com fome?

Cormac McCarthy escreveu um romance-sucesso, cruelmente verdadeiro e doloroso:

No Country for Old Men

Os irmãos Cohen realizaram, a partir dele, um filme, com o mesmo título, que abalou meio-mundo.

Também, por cá, houve quem o lesse ou visse e sentisse calafrios.

Pergunto:


será Portugal um país só para velhos? Será que este país não é para jovens?

Despedida às ruínas 

Portugal no fim?

A solidão a dois


Não acredito em estatísticas forçadas e os números que nos chegam assustam.

Quantos somos nós, realmente? 6, 7 milhões? E quantos jovens e quantos velhos? E quantos empregados e quantos desempregados? E quantos com vida digna e quantos com vida indigna? Quantos com comida e quantos com fome?

Cormac McCarthy escreveu um romance-sucesso, cruelmente verdadeiro e doloroso:

No Country for Old Men

Os irmãos Cohen realizaram, a partir dele, um filme, com o mesmo título, que abalou meio-mundo.

Também, por cá, houve quem o lesse ou visse e sentisse calafrios.

Pergunto:


será Portugal um país só para velhos? Será que este país não é para jovens?

Despedida às ruínas 

DIA MUNDIAL DA FOTOGRAFIA


Dia 25 de Abril de 1974: imagem da libertação de Portugal