segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

A humanidade exemplar de um cão ou a saudade do amor morto nos nossos dias

Hachikô, um cão apaixonado

Revi, ontem, o filme Hachikô Monogatari , a história do amor de um cão -Hachikô- pelo seu dono, agora na versão japonesa. Pareceu-me essencial mais autêntica, mais exacta e mais forte, limpa do melodramático que salpica a versão americana.

Tudo está contado e comentado no blog Falcão de Jade, reproduzido no meu FB.

E pensei que a entrega sentimental de um cão, de um animal, é uma espécie de provocação.

Provocação do quê?

Assistir a esse movimento para o outro, para o amigo, para o amado, vindo de um animal, solta os sentimentos que esmagamos, em nós, fechados a sete chaves no egoísmo, na armadura que construímos, prisioneiros do medo, refugiados na sociedade de hoje, desumanizada, mecanizada, numérica. Gelada. Implacável proibidora de sentimentos, estripadora de almas, fábrica de escravos.


Assistir à poesia do amor alivia-nos, emociona-nos; mas as nossas lágrimas talvez sejam choradas sobre nós próprios.    

domingo, 4 de janeiro de 2015

Do amor


Flor Dente-de-leão


No romance inacabado, publicado póstumo, Dente-de-leão*, de Yasunari Kawabata, encontrei a seguinte passagem:

“As relações criadas entre o homem e a mulher são muito anteriores à linguagem. (…)O amor não se encontra, ainda hoje,  em uma profundeza misteriosa, livre de palavras?”

*por que razão Kawabata escolheu esse título? Talvez valha a pena abrir o link seguinte:


e naturalmente apaixonante ler o romance do grande japonês…




sábado, 3 de janeiro de 2015

A mulher de 2014


Samantha  Cristoforetti: a primeira mulher  italiana a bordo de um Estação Espacial Internacional 

Biografia:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Samantha_Cristoforetti

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

A poesia é o instrumento supremo ou Toda a criação é poesia



No mundo informático, mundo de dogmas, mundo de multiplicar ciências, soluções rígidas, mundo colado ao refazer covarde dos princípios estáticos e desumanos, sabe especialmente bem esta afirmação que nos deixou um admirável poeta português, também ele condenado ao silêncio pela estupidez literata:

“Nunca a poesia, é certo, transformou o mundo –mas o mundo nunca se transformaria sem ela.”

Jorge de Sena in Poesia De 26 Séculos, Editorial Inova Limitada, Porto, 1971
  

Costantinos Kavafis: um grande poeta grego contemporâneo

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

A vida continua, a vida está aí! Um ano que não é novo porque não existirá sozinho nem separado de nenhum outro: é mais um instante da eternidade, infinita e feita de instantes... Já houve antes, haverá depois? Ou tudo é tudo: uma imensa e ilimitada pintura que se revela... a cada instante?

2015


Lutar contra o naufrágio para que nos empurram


2015 vai ser um ano duro e exigirá de todos coerência e coragem.

Há um governo agonizante e que tem à sua frente três caminhos:
-demitir-se,

-multiplicar a actividade destrutiva, -o país tocou o fundo: a pobreza, o desemprego, a emigração, a desertificação, crescem, dia a dia-, e continuar a cumprir a ordens recebidas do grande capital,

-ou, entrado em pleno desespero, desacreditado, desorientado, detestado, continuar a comprar a comunicação social e os que aceitem lugares rentáveis e apoios lucrativos; isto é, continuar a esconder, por detrás de um manto já esburacado, a nudez cuja podridão revolta e começa a incomodá-lo a ele próprio, governo.

Temo que seja o terceiro a impor-se e a completar o segundo: distribuir as benesses que lhe convêm, indiferente aos estragos que arrastam, e aliciar os que há muito enterraram a moral, o ideal, a verticalidade.

Meus amigos: a nós, vítimas do governo mais desbragado que a História de Portugal jamais teve, resta-nos, coerente e honestamente, dizer e fazer o que entendemos dever dizer e fazer.

Em um número muito recente de El País (29/12/2014), topei o que vos deixo:

  “Fazer e dizer o que pode não agradar exige coragem, mas para ter uma vida autêntica é necessário viver de acordo com os nossos valores, ainda que os nossos valores não sejam populares.”

…ainda que a coragem e verdade tenham um preço muitas vezes -quase sempre- alto.