Aldo Zari, em Veneza
Presença
Aldo Zari morreu há
mais de três anos e, no entanto, eu vivo com ele.
O nosso último encontro
real acontecera quase um quarto de século antes do seu desaparecimento.
Sim, desaparecimento, dizer morte é absurdo.
Absurdo?
Sim, porque o sinto presente.
Ao longo dos tais vinte
e cinco anos, escrevemos-nos e falámos ao telefone, longas conversas que
ultrapassavam a hora.
E isso acontecia quando
era preciso.
Assim valia para ele e
para mim.
Agora, há o senti-lo ao meu lado. -e a sua morte que se apaga.
Chego-me à sua presença: conforta e aquece a
alma. A vida -essa coisa esquisita a que demos o nome de vida- é muitas
vezes dura e traz solidão.
Aldo presente enche o vazio e varre as escórias
que negam aquilo a que chamamos absoluto.




