sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Páginas de um Diário público


Aldo Zari, em Veneza

Presença

Aldo Zari morreu há mais de três anos e, no entanto, eu vivo com ele.

O nosso último encontro real acontecera quase um quarto de século antes do seu desaparecimento.

Sim, desaparecimento, dizer morte é absurdo.

Absurdo?

Sim, porque o sinto presente.

Ao longo dos tais vinte e cinco anos, escrevemos-nos e falámos ao telefone, longas conversas que ultrapassavam a hora.

E isso acontecia quando era preciso.

Assim valia para ele e para mim.

Agora, há o senti-lo ao meu lado. -e a sua morte que se apaga.

Chego-me à sua presença: conforta e aquece a alma. A vida -essa coisa esquisita a que demos o nome de vida- é muitas vezes dura e traz solidão.

Aldo presente enche o vazio e varre as escórias que negam aquilo a que chamamos absoluto.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

“Vão ser enviados médicos para o Interior”, diz quem manda...


Este país volta à idade-média...


Quais?

Os que já emigraram e somam centenas, milhares?

E os enfermeiros?

Vão repescar os 50% que emigraram?

Nada mais há a perguntar.

Ou melhor, podemos interpelar este subitamente miraculoso governo: quando param de vender notícias do impossível com os olhos postos nas próximas eleições legislativas? Quando deixam de mentir? Quando deixam de gozar com um povo às portas da fome?

Convenceram-se que cegaram por completo o povo português?

Pronto: é responderem e basta.



A grande obra de 3 e 1/2 de governo de Passos Coelho...

in Público de hoje

Atravessar a vida...


Óleo de Filipp Malyavin, 1906


Não parar.
Nunca parar, nem para descobrir a água, nem para ouvir as cigarras, o vento, o corvo desgarrado.
Andar!
Tortuosos, solitários, fáceis caminhos, ir-vos sempre seguindo.

de Passeios in Outono havias de vir, João Falco (Irene Lisboa, Tipografia da “Seara Nova”, 1937


Quem era Malyavin?:

http://en.wikipedia.org/wiki/Filipp_Malyavin

terça-feira, 4 de novembro de 2014