quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O Nobel de Literatura 2011

Tomas Transtomer ( 1931-)

Desconhecia a existência do poeta sueco Tomas Transtömer.


Mas ele tem, para mim, uma vantagem sobre os vencedores a que a Academia Sueca nos habituou: ao contrário da maioria dos últimos escolhidos, nem o distinguiram razões políticas nem o facto de pertencer a um país mais ou menos desconhecido.


É um poeta –cai bem a quem nasceu e cresceu num país de poetas, de grandes e geniais poetas -Portugal- jamais coroados com o Nobel que mereciam e merecem, apesar de serem esses realmente capazes de honrar a nossa Literatura e estarem à altura do prémio.


Vou ler Transtömer com redobrada simpatia.

A comercialização (a degradação) da Cultura

Francis Ford Coppola


Na entrevista a Le nouvel Observateur desta semana, Francis Ford Coppola, questionado acerca daquilo que lhe repugna no cinema, respondeu:

“[Comecei a preocupar-me] no dia em que, nos finais dos anos 80, os grandes jornais começaram a publicar os resultados de bilheteira. Não queria acreditar nos meus olhos. Tudo mudara: os profissionais e, depois, o público habituaram-se a perguntar: “O filme teve quantos espectadores?” Antes, perguntava-se: “O filme é bom?” Tornou-se numa competição desportiva. É lamentável”.


Leitor: isso mesmo acontece em todos os campos chamados “artísticos”: literatura, pintura, música & etc.


É lamentável.


É assassinar a Arte.

O Caminho



"Caminante, son tus huellas

el camino, y nada más;

caminante, no hay camino,

se hace camino al andar.

Al andar se hace camino,

y al volver la vista atrás

se ve la senda que nunca

se ha de volver a pisar.

Caminante, no hay camino,

sino estelas en la mar."


António Machado, in Proverbios y cantares de Campos de Castilla

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Luís Amaro: um poeta cuja sensibilidade e a lucidez ardentes nos envolvem e apaixonam



Anunciação


Imprecisa e grácil te imagino
abrindo de esperança a noite enorme
e iluminando o coração nocturno
que mora, exilado, em mim.

Teu vulto vence a névoa do crepúsculo
e detém-me os passos sem destino
à beira da noite hiante e pálida
com, lá no fundo, obscura imagem
desfigurada e vã, na sombra envolta...

E tua lembrança é o perdão, a luz,
a vida que desponta nas raízes
mais secretas do ser...

Vens, irreal e presente, ao meu encontro,
cabelos soltos ao vento da manhã,
e dos teus lábios desprende-se a Palavra...

Flui de teus olhos a música das fontes.



in Diário Íntimo, Dádiva e Outros Poemas, Editora Licorne, 2011

O que nos deu a 2ª República

Cartaz de Maria Helena Vieira da Silva comemorativo da revolução de 25 de Abril de 1974


"Rara a felicidade destes tempos em que é permitido sentir o que se quer e dizer o que se sente."


Tácito dixit

Os 101 anos da República: viva a República!




A República entra, hoje, no segundo século de existência.



O imenso e trágico atraso cultural do país deitou-a abaixo, em Maio de 1926.



Homens com o perfil extraordinário de Manuel Teixeira-Gomes, Afonso Costa, António José de Almeida, não conseguiram impor o ideal democrático, o Estado social e alfabetizador, que sonhavam.



Os restos da corrupção da monarquia, um bando de ultramontanos, uma maioria de ignorantes conduzidos por caciques às ordens da minoria privilegiada, e tudo isso abençoado por uma Igreja cavernosa e capaz de inventar milagres,



esse movimento retrógrado, reaccionário, castrador e anquilosador, fechou, durante quarenta e oito anos, as janelas que deixariam passar o ar livre e arrancar Portugal à eterna idade média.



O 25 de Abril de 1974 repôs a liberdade e a democracia.



Em plena crise e apesar do governo não ser, e com certeza o não é, o governo ideal, não há razão para desespero.



Há a obrigação de defender e garantir a democracia, um Estado social, um Estado protector, realmente ameaçado de sufocação.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

A intensidade



“No fim e ao cabo, pouco importa o que atingi na minha vida, o que importa é que vivi cada instante.”

Iouri Olécha, in Nem um dia sem uma linha, livro de memórias póstumo


breve notícia sobre o escritor: