sábado, 2 de abril de 2011

Ângelo de Sousa



Trabalhos de Ângelo de Sousa



Citando Proust e a sua crítica a Saint-Beuve, comummente despreza-se a biografia do artista, em favor da obra.

Proust terá razão. Mas o retrato do autor projecta-me, sempre, luz sobre aquilo que o artista criou.

Acontecendo privar com o artista, é muito difícil não os emparelhar: o artífice e o artifício. Isso aconteceu entre mim, o pintor de Ângelo de Sousa, de quem era amigo, e a sua pintura.

De facto, ao lembrá-lo, agora que partiu, os quadros ajudam-me a recompor a sua imagem. Na obra estará a verdade-verdadeira do criador... e a obra traz de volta o homem vivo. Logo ressuscitam a voz e as personagens, que, por sua vez, nos ajudaram a entender a obra.

Ângelo e eu encontrámo-nos, em 1978, na Bienal de Veneza. Ângelo de Sousa era reservado. Diziam-no frio, distante, difícil. Enganavam-se. A generosidade constituía um dos atributos maiores de Ângelo de Sousa, mas, também, a repulsa da hipocrisia. Corremos a cidade, guiados por Aldo Zari, outro que, há pouco, nos deixou. Depressa o nosso convívio foi autêntico e bom.

A lhaneza de Zari, a singularidade veneziana, a humanidade dos lugares que percorremos juntos –osterie, ruas da “Veneza pobre”, livres de turistas-, preocuparmo-nos, sobretudo, com a alma das coisas e compreendê-las –sagrou a camaradagem fraterna.

Depois, associavam-se, em Ângelo, a disponibilidade e a curiosidade –a riqueza da obra multifacetada prova-o. E o diálogo com ele enriqueceu-nos. Repito: o homem, no quotidiano, transmite muito de si, entreabre portas da sua intimidade, e Ângelo de Sousa era um homem superior. O que nos legou pertence ao que de melhor se fez, nos últimos cinquenta anos.


publicado na Página de Cultura de Jornal de Notícias, 03/04/11

Os mistérios do Médio Oriente

Damasco




Editorial

Sangrienta farsa siria

El presidente sirio, mofándose de sus propias promesas, ha optado por la más cruda represión contra quienes rechazan su dictadura. Las fuerzas de Bachar el Asad mataron ayer en Damasco al menos a tres personas, como antes lo han hecho en la ciudad costera de Latakia y en la sureña Deraa. Van más de un centenar de muertos en Siria en las últimas dos semanas, y el joven déspota ha recurrido ante su domesticado Parlamento al risible recurso de la conspiración internacional para explicar los acontecimientos sirios.

Asad, 12 años al frente de la férrea tiranía heredada de su padre, carece de credibilidad e intenta ganar tiempo. Sus propagandistas han vendido en los últimos días importantes reformas liberalizadoras, finalmente vacías. En su esperado discurso, el líder sirio no ha anunciado el final del estado de excepción, que permite desde hace medio siglo el silenciamiento de cualquier oposición y todo tipo de vilezas a sus fuerzas de seguridad; ni la legalización de partidos; ni libertad de prensa. Todo lo prometido por el desafiante dictador es un comité que indague las matanzas de manifestantes y otro que estudie la sustitución de la ley de emergencia por otra antiterrorista y de seguridad nacional. O sea, rebautizar el estado de excepción. En la creciente revuelta siria se mezclan los mismos ingredientes y aspiraciones que en Túnez o Egipto. Siria es un Estado policíaco de partido único, el Baaz, corrompido desde la cúspide y controlado, también económicamente, por la familia presidencial y su círculo íntimo. Damasco se beneficia del capital político que le otorga su condición de aliado regional de Irán y factor determinante en Líbano y Gaza, por su apoyo a Hezbolá y Hamás. Ni siquiera EE UU o Israel, que ven en Asad un enemigo predecible, quieren un vuelco que llevaría más incertidumbre a una encrucijada crítica. Pero el régimen sirio, como otros vecinos, está siendo juzgado por su ejecutoria interior. Y su iniquidad es patente.


transcrito, com a devida vénia, de El País, de 02/04/11

Coelho agarra logo

"Passos compromete-se a pedir ajuda externa se for designado primeiro-ministro

Se Pedro Passos Coelho vier a ser indigitado para formar Governo e se Portugal tiver necessidade de recorrer à ajuda do FMI, o presidente do PSD não hesitará “um segundo” em fazê-lo. O líder do PSD manifestou também toda a disponibilidade do partido em apoiar o Governo numa eventual contracção de um empréstimo intercalar até às eleições legislativas de 5 de Junho."


in Público de hoje

Um povo único, poeta, criador abandonado e indefeso

Saias da Serra -GFCB

Não há é dinheiro







“Os portugueses são dos mais infecundos da Europa”

dos jornais



Um eufemismo -um modo de fugir à verdade-, para amenizar e disfarçar esta realidade: Portugal, na companhia da Estónia e da Hungria, é dos países europeus onde nascem menos crianças.

Não me consta que os portugueses sofram de impotência.

O que acontece é que os portugueses não têm dinheiro para pagar o ‘luxo’ de ter filhos.

Basta-lhes precisar de comer e de um tecto

Precisar de pagar a alimentação, a prestação da casa ou o aluguer, a saúde.

Basta-lhes andar com o desemprego às costas.

E milhares deles irão ter os filhos em países estrangeiros, onde encontrem trabalho e um Estado protector, consciente das suas obrigações e deveres.

Os portugueses não querem ver família, mulher e filhos, na bicha da sopa dos pobres.

A guerra

A caminho da Líbia: algures, no Mediterrâneo, um avião britânico prepara-se para descolar


"A primeira vítima de uma guerra é a verdade"


Rudyard Kipling

Odilon Redon (1840-1916), um artista muito especial

'Autoretrato', 1880




'Aranha sorridente', 1880





'Barca mística', 1895




'Béatrice', 1885



'Orfeu', 1898




'Mistério', 19oo




'Evocação das borboletas', 1912


Em Paris, nas Galeries Nationales du Grand-Palais, até 20 de Junho, está aberta uma exposição de Odilon Redon, coisa que não acontecia, desde 1956.

Redon é um pintor singular [escolhi algumas pinturas, que reproduzo, abaixo).

Ao que parece, a amizade com um botânico bordalês, levou-o à redescoberta do mundo animal e a leitura de Darwin, Baudelaire e Edgar Allan Poe (e, certamente, outros...) influenciaram-no.

A ‘Aranha sorridente’ (Redon chamava a atenção da inteligência, tão humana, que brilhava nos seus olhos), é um exemplo, aponta a natureza e... o fantástico, o misterioso.

Por volta de 1980, muda: entrega-se à pintura de paisagens e figuras luminosas.

Escreveu um diário, escreveu ensaios curtos.

Marcou a pintura moderna.

Aqui vos deixo um link elucidatvo: