domingo, 15 de maio de 2016

Uma lição de bem fazer


Francisco de Holanda, autoretrato



Para todo aquele cuja meta é a obra de arte, transcrevo algumas linhas d o Prólogo de Diálogos de Roma segunda parte de Pintura Antiga, de Francisco da Holanda. Julgo serem elas, pela força e a coragem da sinceridade e da humildade, tema de reflexão e ensino.

“Se Deus me desse a escolher livremente, entre todas as graças que repartiu com os mortais, qual queria ter ou alcançar, nenhuma outra pediria, depois da fé, senão o alto entendimento de pintar ilustremente. Nem porventura quereria ser outro homem, senão este que sou. *** De que muitas garças dou eu ao imortal e soberano Deus por me neste grande  e confuso mundo dar alguma pequena luz nos desejos da altíssimo pintura, pela qual a nenhum outro dote em mais honor a reverência tenho pelo seu grande merecer.”

***sublinho a frase por ilustrar valor máximo: que nos caiba a nós a sorte de sermos capazes de expressar quanto entendemos do mundo e da vida, e que é crime recorrer àquilo que a outros pertence, para triunfarmos.


in Diálogos de Roma, de Francisco de Holanda, Prefácio e Notas de Manuel Mendes, Livraria Sá da Costa, 1955


Obra de Francisco de Holanda

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