"O grito", 1893, de Edvard Munch
Hoje, acordei num país
dominado pelo medo.
Numa terra em que as
pessoas não sabem o que será o dia de amanhã.
Nem se, amanhã, o rebaixarão
mais, as humilharão mais –se, amanhã, o quotidiano será ainda mais impossível de
suportar.
Se, amanhã, lhes recusarão o direito a existirem.
Se amanhã terão dinheiro
para comerem e darem de comer aos seus.
Se podem adoecer.
Se os filhos podem
estudar.
Se podem trabalhar.
Se podem viver debaixo
de um tecto.
Se são pessoas ou coisas, nas mãos de outrem que põe e dispõe,
De uma força diabólica,
a que ninguém se opõe.
Se é são resíduos, ex-pessoas, abandonadas à beira de uma estrada que deixou de pertencer-lhes.
Hoje, é esse o meu
país.