domingo, 15 de abril de 2012

Um cão que repudia a indiferença... e intervém!

Atenas, 2012

Em tempo de angústia, os homens com medo ignoram os outros


"Inferno", 1450-1516), obra de Hieronymus Bosch

Continuo a folhear as obras de Calude Roy que encomendei na Amazon. São livros de ensaio autobigráfico e notebooks.

Sigo Claude Roy há muitos anos -mais de 40!- e considero-o um dos mais inteligentes ensaístas franceses do século passado. Lê-lo transforma-se no prazer de uma conversa, diálogo que enriquece.

Hoje, deparei -”Les rencontres des jours”, Gallimard, 1995- com o seguinte apontamento/pergunta:

Em que círculo do inferno estão os indiferentes?”

Vem a talhe de foice: diante da nossa tragédia quotidiana, vítimas que somos do coice do capitalismo financeiro agonizante, a resignação portuguesa, o pasmo, o enterrar a cabeça na areia da miséria, para não ver nem ouvir, se enraíza na ignorância cívica, desmascara, também, o egoísmo.
Aponta a indiferença -sempre, um crime: um pecado.

O outro lado: uma voz de Timor

Bom dia, bom domingo...



"The boating party", 1889, John Singer Sargent (1856-1925), Museu de Arte, Providence, USA

sábado, 14 de abril de 2012

Bom dia: os braços abertos


"Le moulin de le Galette", 1876, óleo de Pierre-Auguste Renoir

"Por que não falam, entre si, as pessoas? Portas, mãos, rostos, espíritos, corações ‘abertos’. Feliz o viajante esgotado, diante do qual se abre a porta. Mais fortunado, ainda, aquele que a abre, e diz: “Entre...”,

escreve Claude Roy, no livro autobiográfico, Nous (Gallimard, 1972); e cita Marin Buber***:
“Só os homens capazes de se tratarem por Tu são capazes de dizer Nós aos outros.”

*** http://en.wikipedia.org/wiki/Martin_Buber

sexta-feira, 13 de abril de 2012

E vá lá a gente fiar-se do que dizem os jornais...

Imagem de Pasquino, em Roma: jornais ou pasquins? 

"O trotskista Mélenchon é o incómodo "terceiro homem" das presidênciais francesas"

in Público de hoje

O título é "chamativo" -um trotskista ameaça a direita e um socialista- mas não corresponde à realidade:

Jean-Luc Mélenchon não é nem nunca foi trotskista***

e vem em quarto lugar, nas sondagens referentes à presidenciais, publicadas ontem.

Para te certificares, basta abrires os links abaixo.

E é assim que se informa o público e se pratica pedagogia jornalística...

O PAC (o Processo de Analfabetização em Curso) ganha terreno.

http://fr.wikipedia.org/wiki/Jean-Luc_M%C3%A9lenchon


***Aliás, um " jornal de referência" deveria estar habilitado para saber que existe um candidato trotskista, nas eleições presidênciais  francesas, Philippe Poutou, o qual encabeça o NAP (Nouveau Parti Anticapitaliste), até agora com 1% nas sondagens...

Aproveita o fim de semana para ouvir e meditar esta canção histórica, este grito de liberdade e igualdade