sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Morreu o inventor da esfregona: era espanhol


Nunca me passou pela cabeça querer saber quem inventou a “esfregona”, utensílio indispensável em todas as casas...


Pois bem, hoje, sem perguntar, fiquei a saber porque deram a notícia que ele morreu, em Zaragoza. 

Manuel Jalón, 86 anos, natural de Logroño, cidadão honorário de Zaragoza, exportou a sua invenção para 30 países

El País informou-me, na excelente e variada página online:

Um prémio com sabor açoriano



O tubarão azul, nas llindíssimas águas dos Açores, deu a Nuno Sá o primeiro prémio da categoria “Grande Angular” do maior concurso mundial de fotografia aquática, o Epson World Shootout Underwater Photo Grand Prix 2011

O susto na imprensa



A leitura dos jornais condenada a ser esquecida?

A "morte" de France Soir, com 67 anos de vida (cf. Link no post abaixo), o arrumar das malas de um quotidiano que chegou a vender 2 milhões de exemplares por dia, levanta, mais uma vez, a dúvida sobre o futuro da imprensa.

O jornal de papel está condenado a desaparecer?

Entre nós, muitos quotidianos e semanários sentem, na pele, quanto arde a pergunta.

E muitos estrebucham.

Lay-off, despedimentos, dispensa de colaborações...

E buscam o eldorado: transformarem-se em tablóides.

Um eldorado com as calças rotas.

Não é por publicarem notícias desenvolvidas sobre assuntos realmente importantes e realmente da hora, do momento; não é por acolherem textos que analisam os problemas sociais e culturais,

em vez de mostrarem as calcinhas da Chica ou relatarem o apunhalamento do Silva, a história da sogra que violou o genro ou do cego que foi abusado,
não é por não insinuarem que a Lola anda com o Bentes ou que o Hipólito desviou dinheiros da empresa,

não é por falta dessa peixeirada apimentada que os jornais de papel agonizam.

É porque não se aguentam com os concorrentes: os novos modelos numéricos da escrita.


Porque tendem a degradar-se e a transformarem-se em tablóides -e, entre nós, já há que chegue...


Infelizmente.

E, para quem seja vítima do PAC (o Processo de Analfabetização em Curso), que roubou o ensino do francês, transcrevo o final da Editorial do Le Monde de hoje:

Os novos suportes numéricos da escrita –smartfones, iPad- não cessam de marcar pontos. O inquérito, o comentário, a análise, a reportagem têm o seu lugar. O futuro pertence aos jornais que sabem navegar no papel como a Web. O impresso é mais indispensável que nunca.”

No fim e ao cabo, tudo depende da Cultura, do ensino –escandalosamente desprezados, entre nós.

E, obviamente, da cultura e das intenções dos donos dos jornais...     

Leituras que sugiro


Escolhe:





A frase do dia: o fogo criador ou quando, em vez, se vende gato por lebre


'The Fire Wheel', 1875, óleo de James Abbott Mcneill Whistler (1834-1903)

‘ Mas de um excesso de vontade voluntária e cálculo me parece sofrer boa parte da literatura moderna ou moderníssima, como, aliás, toda a literatura característica das épocas de crise; consequentemente, duma deficiência de criação, de génio, de intuição, de ingenuidade luminosa: Porque da verdadeira força criadora é inocente o mesmo criador, ao contrário do que sucede naquela arte desumanizada, mental, fabricada, em que julga o falso ou pequeno artista poder fingir o que não admite fingimento. Se “o poeta é um fingidor”, ainda por graça de Deus o é: Nesse fingir está a sua verdade –pois implica um sentir. Mas o que precisamente denuncia o falso poeta é um fingir impotente: um fingimento, digamos, do fingimento válido.”

José Régio, in Introdução a uma obra*, posfácio à 7ª edição (última, em vida do autor) de Poemas de Deus e do Diabo, Portugália Editora, 1969

*este ensaio sobre a própria obra, cujo primeiro esboço aparece na 2ª edição de  Poemas de Deus e do Diabo, 1943, com o título Um trecho das minhas "memórias críticas", foi sistematicamente corrigido e aumentado, até 1969, ano da morte de José Régio

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

E é porque todos os meninos, todos os jovens são criaturas de Deus, que deixo aqui, em tempo natalício, esta denúncia terrível e certeira


São Lorenzo, óleo de Michelangelo Merisi de Caravaggio (1517-1610): E agora?!

Este país não é para jovens

Por Manuel António Pina

Um estudo da CGTP revela que 51% dos jovens trabalhadores com menos de 25 anos recebem um salário inferior a 500 euros, o mesmo acontecendo com 24,5% dos jovens entre os 25 e os 34 anos. Somando a estes números, referentes tão só aos "privilegiados" que têm trabalho, os milhares que se encontram em situação de desemprego ou procuram em vão o primeiro emprego, fácil é concluir que este país não é para jovens.

A minha geração viveu o pesadelo da Guerra Colonial, que semeou entre os jovens milhares de mortos e estropiados e forçou outros tantos à solidão do exílio, enquanto a casta política e económica dominante (parte dela ainda hoje avultando por aí) ia metendo, com a Pátria na boca, os proveitos da colonização ao bolso.

Mas uma comissão de serviço na guerra, parecendo eterna, não durava eternamente, e os sobreviventes regressavam ao fim de dois anos. Regressavam, é certo, a um país cabisbaixo e desapossado, mas onde, apesar de tudo, lhes era possível construir uma vida, se bem que cinzenta ao menos autónoma.

Como sobreviver porém, física e moralmente, à guerra que se abate hoje sobre os jovens, condenados sem fim à vista à precariedade, à humilhação e à desesperança, impedidos de constituir família ou de ter vida própria? E uma boa parte da responsabilidade política por isso é justamente da minha geração, sobretudo daqueles que, logo que puderam, se meteram na cama com o inimigo dos seus 20 anos.

Transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias de hoje

O menino é filho de Deus


Museu Machado de Castro, Coimbra


Abra lá o seu postigo,
Deixe estar um pouco aberto.
Quero ver o Deus menino
Armadinho no Presépio.


in O Ciclo do Natal Na Literatura Oral Portuguesa, de Afonso Duarte, 1936, Barcelos