domingo, 20 de março de 2011

Régio na Livraria Lumière


Capa da 1ª edição de um romance fabuloso: "O Príncipe com orelhas de burro", subintitulado "História para crianças grandes", Lisboa, Editorial Inquérito, 1942, à venda na livraria alfarrabista de que falo abaixo. Se é bibliómano, ou mesmo que o não seja, não perca ! É uma obra-prima. Vá lá, já amanhã!

Na Travessa da Cedofeita

Interior da Livraria Lunière


Quando vou ao Porto, não falho os alfarrabistas. Essa é uma das visitas mais importantes.


Outras se impõem, o “Majestic”, a Igreja de São Francisco, não só pela beleza mas também porque ali casaram meus pais, e dois cafezinhos da rua dos Mártires da Liberdade, genuínos, no calor humano e na verdade da clientela que traz consigo a sinceridade tripeira, única.

Fico instalado -e desde os tempos em que batia o estrangeiro e estava em Israel- no hotel “Inca”, Praça do Coronel Pacheco, a dois passos da Cedofeita.

Mas é numa livraria da Travessa da Cedofeita que estou sempre caído: a “Livraria Lumière”.

Tem um encanto especial e livros preciosos. Um atendimento, inteligente e delicado, que rareia. Da última vez, há quinze dias, topei dois autores de que logo me apropriei: Branquinho da Fonseca e Pina de Morais.

Do primeiro, a tiragem especial da 2ª edição de “Caminhos Magnéticos” (200 exemplares), Guimarães Editores, 1959, com dedicatória. O segundo, as crónicas de João Pina de Morais, publicadas no “Jornal de Notícias”, de 1942 a 1950 e editadas pela “Labirinto”, em 2009.

Bibliómano, não poderia escapar-me um dos livros maiores do autor de “O Barão”. Considero-o, entre os ficcionistas portugueses, um mestre, e dos nossos raros escritores que merecem larga divulgação, além fronteiras, e deveria constar de uma antologia do conto/novela universal.

“Caminhos Magnéticos”, “Rio Turvo”, “Bandeira Preta” e o referido “O Barão” situam-se no plano da grande Literatura.

A João Pina de Morais levou-me a curiosidade de ser ele o pai de outro admirável escritor português, também subestimado, como Branquinho da Fonseca –Graça Pina de Morais, autora de “A Origem”. E, se não encontrei o génio da filha, empolgou-me a verticalidade do pai.

publicado na Página de Cultura do Jornal de Notícias, 20/03/11

É urgente salvar o país!

'O semeador', 1888, óleo de Van Gogh


“Quando [um país] é pobre, é necessário investir nas infra-estruturas, no sistema social, na educação...”, ecreve Erik Izraelewicz, director de Le Monde.


Nós somos um país pobre.


Salta aos olhos -há muito que salta aos olhos!- que é urgente reabilitar a pesca e a agricultura; incentivar a pouquíssima indústria portuguesa; reforçar o sistema social, para que as pessoas se sintam seguras e protegidas pelo Estado de que fazem parte e ao qual pagam, neste momento, pesados impostos (já sabemos: os governos têm taxado mais duramente as classes mais pobres); recuperar e desenvolver a educação, que anda de rastos.


De outro modo, equilibrar o défice não resolverá nada porque apenas leva ao aumento da pobreza e à recessão, à falência das pequenas empresas, do pequeno comércio, e ao desemprego.


E á emigração que se conta pela saída de milhares de portugueses por mês.


Se esperam na vinda de empresas estrangeiras, atraídas pela mão de obra barata e pelas facilidades no contrato e despedimento dos trabalhadores,


tirem daí a ideia:


repito:


os portugueses, qualificados e não qualificados, estão a ir embora.

sábado, 19 de março de 2011

Esta noite: a Super-Lua




A lua cheia desta noite será a maior desde há 18 anos.

A sua imagem vai aparecer-nos 13% aumentada e 30% mais brilhante do que em todas as luas cheias do resto do ano.


Desde 1993 que a Lua não estava tão próxima da Terra.


Momentos assim acontecem de 18 em 18 anos.


Não percas!



Toca a meter um pouco do romantismo de esperança, que a beleza sempre traz, nesta tristeza portuguesa!

Um grito a meio de um mundo sem sentido

Lars Norén, dramaturgo norueguês, denunciador do quotidiano absurdo


“Este não é o meu mundo
não consigo viver neste mundo
Como ele é

(...)

A vida que se vive cada dia
é sem dúvida a mais desgraçada que o mundo
possa propor-nos

silêncio

E.
F.
T.
R.
M.
Escola
Formação
Trabalho
Reforma
Morte

(....)

Somos obrigados
a transformar-nos naquilo que não somos
somos obrigados a aceitar um trabalho de merda
porque é o que há
obrigados a aprender a matar pessoas
obrigados a respeitar os limites de velocidade
obrigados a fazer uma coisa
e de fazer dela outra coisa
desde a nascença
até ficarmos seis metros debaixo da terra
Não há
pois
liberdade
em nenhum lugar

(...)

Não há Deus
não existe
o raio de um Deus
há apenas os euros

do monólogo teatral 20 de Novembro

sexta-feira, 18 de março de 2011

Nunca baixes os braços!

Madre Teresa de Calcutá



"Tenha sempre presente que a pele se enruga, o cabelo embranquece, os dias convertem-se em anos... Mas o que é importante não muda... a tua força e convicção não têm idade. O teu espírito é como qualquer teia de aranha. Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida. Atrás de cada conquista, vem um novo desafio. Enquanto estiver viva, sinta-se viva. Se sentir saudades do que fazia, volte a fazê-lo. Não viva de fotografias amareladas... Continue, quando todos esperam que desista. Não deixe que enferruje o ferro que existe em você. Faça com que, em vez de pena, tenham respeito por você. Quando não conseguir correr através dos anos, trote. Quando não conseguir trotar, caminhe. Quando não conseguir caminhar, use uma bengala. Mas nunca se detenha". Madre Teresa de Calcutá.


Foi num estupendo blog, Cozinha dos Vurdons, que encontrei estas palavras maravilhosas, que tudo dizem e todo o bem exigem, de Tereza de Calcutá.


É que eu gosto de futebol...

Liga Europa: as duas mãos, em 7 e 14 de Abril...