Interior da Livraria Lunière
Quando vou ao Porto, não falho os alfarrabistas. Essa é uma das visitas mais importantes.
Outras se impõem, o “Majestic”, a Igreja de São Francisco, não só pela beleza mas também porque ali casaram meus pais, e dois cafezinhos da rua dos Mártires da Liberdade, genuínos, no calor humano e na verdade da clientela que traz consigo a sinceridade tripeira, única.
Fico instalado -e desde os tempos em que batia o estrangeiro e estava em Israel- no hotel “Inca”, Praça do Coronel Pacheco, a dois passos da Cedofeita.
Mas é numa livraria da Travessa da Cedofeita que estou sempre caído: a “Livraria Lumière”.
Tem um encanto especial e livros preciosos. Um atendimento, inteligente e delicado, que rareia. Da última vez, há quinze dias, topei dois autores de que logo me apropriei: Branquinho da Fonseca e Pina de Morais.
Do primeiro, a tiragem especial da 2ª edição de “Caminhos Magnéticos” (200 exemplares), Guimarães Editores, 1959, com dedicatória. O segundo, as crónicas de João Pina de Morais, publicadas no “Jornal de Notícias”, de 1942 a 1950 e editadas pela “Labirinto”, em 2009.
Bibliómano, não poderia escapar-me um dos livros maiores do autor de “O Barão”. Considero-o, entre os ficcionistas portugueses, um mestre, e dos nossos raros escritores que merecem larga divulgação, além fronteiras, e deveria constar de uma antologia do conto/novela universal.
“Caminhos Magnéticos”, “Rio Turvo”, “Bandeira Preta” e o referido “O Barão” situam-se no plano da grande Literatura.
A João Pina de Morais levou-me a curiosidade de ser ele o pai de outro admirável escritor português, também subestimado, como Branquinho da Fonseca –Graça Pina de Morais, autora de “A Origem”. E, se não encontrei o génio da filha, empolgou-me a verticalidade do pai.
publicado na Página de Cultura do Jornal de Notícias, 20/03/11