sábado, 22 de janeiro de 2011

Uma questão de respeito

O perigo é que amanhã ajudes a enterrar o país...


Hoje é dia de meditação –de reflexão livre de pressões.

Amanhã vamos votar.

É um dever. É respeito pelos outros e por nós próprios.

Se não votares... votas em alguém, que te agradece a abstenção: não o molestas.

Não existes.

Votas naqueles já coroados pelas sondagens.

E, se as sondagens podem errar, alguma verdade trazem...

O argumento: “nenhum é melhor que o outro, que fique como está”,é um grandessíssimo disparate: há sempre alguém que é, pelo menos!, menos mau que outro...

E, como diz o povo, “do mal o menos”.

Escrevo isso, convicto que há, nesta eleição, quem seja realmente capaz de ocupar, digna e proveitosamente, o cargo de presidente da República.

Que não ajude a multiplicar-se o mal e apoie a luta pela justiça, pela equidade, pelo bem.

Não quero, porém, influenciar-te e deixo-te esta frase do nosso purista (em todos os sentidos) Manuel Bernardes, que, há mais de duzentos anos, já sabia onde medrava a podridão em Portugal:

“Soberbas, insolências, animosidades, desprezos do próximo, etc., são pecados de quem tem abundante substância nos cofres”.

Pára, escuta e olha.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Espero-vos a todos na Guarda!











Daqui a um mês, dia 21 de Fevereiro, inicia, na Guarda, um Ciclo que me é dedicado. Até ao dia 26, inclusive. Gostaria de encontrar todos os amigos que estiverem disponíveis, os principais convidados.

Estes são os momentos que entusiasmam, encantam e... envaidecem...

Nada a acrescentar...

...senão:

a criança que arribou à Guarda, em 1950, sente uma lagrimazinha no canto do olho.

De repente, eis de volta, os dias maravilhosamente difíceis em que, naquela que considera a sua Pátria, a sua Cidade, a sua real raiz, cresceu e aprendeu a vida.

Pela mão de Mestres...

...e de Mestras.

No velho “Rocha”, nas ruelas da judiaria, na Cova Funda...

...na Praça Velha, alta noite, a discutir o sentido das coisas...

...no “Rocha” a ouvir os pacientes, bons, santos professores,

...o que aturaram!,

ou na velha Biblioteca Municipal a ouvir esse homem extraordinário que foi o Padre Pôpo...

...a comprar livros, às prestações, na saudosa Papelaria do saudoso Sr. Casimiro...
a correr a Guarda com os amigos, o Bidarra, o Almeida (o Cida), o Pires Sanches, os Lorgas, o Sá Pessoa, outros, tantos, bem haja o destino!,

...a olhar, deslumbrado, para a Libânia e as suas bailarinas...

...a espreitar o estranho Foge-à-Mãe, o grande solitário, o grande incompreendido, o polícia de guarda, embrulhado no capote e a tiritar de frio, no beco do Poço do Gado..
e nós, menores, quase ainda catraios, a passar-lhe por trás e ele a baixar os olhos, a fazer que não via, olhos fitos na beata presa dos dedos enregelados...

Intemporal e tão perto, a Sé, a compreender tudo e a perdoar, mãe tolerante como todas as mães...

E o mundo, lá fora, longe, o mundo desconhecido, onde uns e outros acabaram por ir parar, com a gota de sangue escondida num cantinho do peito, dor da saudade inconfessável...

...incrível...

...imensa,

do tamanho da soma dos dias.

De volta o que não volta,

e, no entanto, pulsa, cada vez que o nomeamos...

Este é um daqueles momentos únicos.

Diz o povo que amor com amor se paga.

Assim é.

Obrigado, Guarda, minha querida cidade,

que o és por escolha


e foste tu que te impuseste, na tua beleza, inteireza, nobreza e generosidade.

Também únicas.

Clinton Eastwood a vida e a morte





CLINT EASTWOOD:
"Nunca he sido un tipo nostálgico"

por Rocío Ayuso



Empezó su carrera como John Wayne y a este ritmo la acabará como John Ford. A sus 80 años Clint Eastwood cuenta con 66 películas como actor y 32 como director, las seis últimas realizadas en menos de cuatro años. Más allá de la vida le acerca a la mortalidad pero Eastwood no tiene prisa. Tampoco miedo. Hay quien quiere ver en esta historia sobre el otro lado de la muerte una reflexión del ganador de cuatro oscars sobre un inevitable final. El realizador, retirado de la interpretación, dice que solo ha buscado algo nuevo que contar. Una vez más fue contracorriente con un rodaje rápido, barato y sin alharacas para realizar un filme que la musa de sus últimas películas, Matt Damon, define como "la película francesa de Clint". Toda una ironía para un genio genuinamente estadounidense que, como todos los grandes, se niega a morir.



Pregunta. Es inevitable preguntarle si cree en la vida después de la muerte.

Respuesta. La mayor parte de la población quiere creerlo. Lo mismo con las religiones, todas creen que existe algo después de la muerte. A mí lo que me interesó del guión de Peter Morgan no es la reflexión sobre la muerte sino la presencia de un héroe que no quiere serlo, la idea de una vida que, como él mismo dice, solo se mueve entorno a la muerte y por ello no merece la pena ser vivida.



P. Pero su creencia, ¿cuál es?


R. No pienso en el más allá, en lo que quiera que haya después de la muerte, si es que lo hay. Prefiero pensar que solo tenemos una oportunidad de vivir en este mundo y mejor que la aprovechemos al máximo.



P. Practica con el ejemplo, cabría decir.


R. Nunca he sido un tipo nostálgico. Vivo en el presente una vida maravillosa y no tengo quejas ni nostalgias.



P. ¿Alguna vez pensó que llegaría tan lejos?


R. Todo el mundo sueña algo así ¿no? Todo el mundo sueña con ser lo mejor, tiene esa ambición. Recuerdo cuando hice Escalofrío en la noche que pensé: "Si esto sale bien algún día podré ganarme la vida detrás de la cámara porque quizá a los 78 años ya no quiera verme en pantalla [risas]". Pero he hecho lo que hecho y está siendo un gran viaje.



P. Sus deseos se han visto cumplidos al pie de la letra. ¿Es más agradable contar con Matt Damon como su álter ego delante de la cámara?


R. Matt es un actor de verdad sin nada de pose. Y eso se ve en su trabajo. Es capaz de ofrecer una interpretación tan sutil que ni parece que esté actuando. Sin trucos. Alguien con un gran éxito que además quiere seguir expandiéndose. Un gran guionista que estoy seguro será un gran director. Estoy seguro que lo querrá intentar en algún momento.



P. Siendo una de sus películas más intimistas, Más allá de la vida también es el largometraje con más efectos especiales de su carrera. ¿Le interesan los avances tecnológicos en el cine?

R. Desafortunadamente todavía no he visto Avatar, pero veo la evolución de Hollywood como una búsqueda de nuevas fronteras. Yo me podía haber contentado haciendo el género de películas por el que me di a conocer hace unos años. Pero en la última década preferí buscar algo diferente. No es inseguridad, se trata de experimentar. Uno siempre aprende algo nuevo. Como en los efectos especiales. Lo malo es que son prohibitivamente caros.



P. Dinero que se ahorra en sus bandas sonoras... ¿Qué proceso emplea al componer su música?


R. Depende de la película. En ocasiones tengo la música en la cabeza antes de empezar a rodar, como en Sin perdón. En este caso, como me pasó con El intercambio, la música me llegó cuando estaba en la sala de montaje, momento en el que buscas los sonidos de tu película. Para mí, la música no tiene por qué imponerse sobre el resto de los elementos del filme: lo mismo que siempre me ha gustado la música, también me atraen los silencios.



P. ¿Qué le espera después de Más allá de la vida [Hereafter, em exibição entre nós, com o título Outra Vida] ?


R. Leonardo [DiCaprio] quiere protagonizar J. Hoover, así que empezamos este año. Obviamente se trata de una película con aspectos biográficos, así que buscamos un cierto reflejo de la realidad. También habrá algo de especulación, ciertas libertades. Cada película tiene un nuevo horizonte que conquistar.


transcrito, com a devida vénia, de El País de hoje

Uma pérola de Umberto Saba

'Raparigas junto ao rio', óleo de Pierre-Auguste Renoir



Nuda in piedi, le mani dietro il dorso
come se in lacci strette
tu gliele avessi. Erette
le mammelle, che possono al morso

come ai baci allettar. Salda fanciulla
cui fascia l’amorosa
zona selvetta ombrosa,
vago pudore di natura. Nulla,

altro há nulla. Due ancora tondeggianti
poma con grazie unite
pare chiamino il mite
castigo della fanciullezza. Oh, quanti

vorrebbero per sé ai miei occhi il lampo
del piacere promesso,
che paradiso è spesso,
e piú spesso è l’inferno senza scampo!

in Fanciulle (1925)

"Ou eu ou o caos!", ameaça Cavaco

'O apocalipse bate à porta', diz-se para os lados de Boliqueime




E o povo responde assim...





O Quinto Cavaleiro



Manuel António Pina



Quem o garante é economista e professor de Economia, ex-catedrático e tudo e, se ele o garante, quem é o povo para duvidar?



Ora o que ele garante é que, se o povo não o eleger já no domingo, como é "essencial", abrir-se-ão os mares e desabará o céu. E pior acontecerá em terra: a sua não eleição à primeira volta provocará imediatamente, avisa ele, "uma contracção do crédito e uma subida das taxas de juros", com consequências apocalípticas para "empresas e famílias".



"Imaginem o que seria de Portugal, na situação económica e financeira complexa em que se encontra, se prolongássemos por mais algumas semanas esta campanha eleitoral", avisa de novo. O povo imagina e o que vê deixa-o petrificado de terror: ao lado da Morte, da Fome, da Peste e da Guerra, cavalga agora o Quinto Cavaleiro, o terrífico Mercado, e todos juntos precipitam-se a galope sobre "empresas e famílias".



Por isso o povo correrá a eleger o ex-catedrático no domingo. Ou no sábado, se lhe permitirem. Elegê-lo-ia até sem eleições (por exemplo, suspendendo-se a democracia por seis meses, assim se poupando milhões porque a democracia é cara). Só o ex-catedrático pouparia os 2,1 milhões de euros (um recorde absoluto) que gastou na campanha. E se, depois, na Presidência, poupasse ainda aos contribuintes uma parte dos 17,4 milhões que gastou em 2010 (outro recorde absoluto),*** talvez, quem sabe?, o crédito se descontraísse um poucochinho.



***sublinhado por mim



transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias de hoje

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Uma poesia de Umberto Saba



Il Poeta

Il poeta a le sua giornate
contate,
come tutti gli uomini; ma quanto
quanto variate!

L’ore del giorno e le quattro stagioni,
un po’ meno di sole o più di vento,
sono lo savgo e l’accompagnamento
sempre diverso per le sue passioni
sempre le stesse; ed il tempo che fa
quando si leva, è il grande avvenimento
del giorno, la sua gioia appena desto.
Sovra ogni aspetto lo rallegra questo
d’avverse luci, le belle giornata
movimentate
come la folla in una lunga istoria,
dove azzurro e tempesta poco dura,
e si alternano messi di sventura
e di vittoria.
Con un rosso di sera fa ritorno,
e com le nubi cangia di colore
la sua felicita,
se non cangia il suo cuore.

Il poeta há le sue giornate
Contate,
Come tutti gli uomini; ma quanto,
Quanto beate!


in Trieste e una dona


Umberto Saba é um poeta muito difícil de traduzir. Como todos os poetas, eu sei. Para 'entrar' na linguagem poética de Saba, levei dois ou três anos. Apesar de, então, viver em Itália, onde me demorei quize anos... No entanto, há, certamente, quem o leia e compreenda, em italiano -em Portugal e no mundo da lusofonia. Para eles, transcrevi esta pérola de um dos maiores poetas do século XX.

Esta é de mais!

Se puderes, ri com este "iluminado"


"Cavaco alerta para o aumento da taxa de juros com a segunda volta"

manchete de Público às 18:15


Vasculhando bem, a segunda volta vai aumentar a queda do cabelo, o atraso do Sporting de Braga, na Liga, vai apressar a falência do Sporting, carregar no aumento de preço do bagaço, aumentar as dores dos calos, o abandono dos pais velhinhos, a mortalidade infantil...


Vai atrasar as reformas e obrigar os cidadãos a trabalharem até aos 99 anos,


vai acabar com os comboios da linha de Sintra,


vai aumentar a gasolina e o custo das portagens


& etc & etc & etc...


Pode acontecer, até, que seja o fim do mundo!!!!


Ora estejam atentos às afirmações do Iluminado de Boliqueime! Já daqui a bocadinho! Já esta madrugada! E amanhã até às 24h em pontinho!