segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

domingo, 13 de janeiro de 2013

A saudade que não me pertence

Em 1938, uma jovem estudante...


Há anos, encontrei, num alfarrabista, o romance de Nuno de Montemor, A Paixão de Uma Religiosa, União Gráfica, Lisboa, s.d.

Do livro, encadernado em pano, (Encadernação da Gráfica, Torres Vedras), na página anterior ao título, consta:

“Liceu de Maria Amélia Vaz de Carvalho

Prémio concedido à aluna Maria Henriqueta Franco dos Santos da VII classe de Ciências por ter sido a mais classificada da sua turma no ano lectivo 1936-37

Em 22-VI-938

A Reitora”

E veio-me a nostalgia e a ternura –quem seria a rapariguinha e como se perdera a recordação?

Também veio a pena, quase um arrepio, a ideia, certa, de que depressa nos esquecem os que se cruzam connosco na breve vida.

…de que somos um acidente, um instante, um fogo-fátuo.

Comprei-o, guardei-o e resisti, até hoje, a desfazer-me dele –a matar aquele nome.

Deixo-vos a notícia –que cairá no esquecimento, tal qual a jovem aluna do Maria Amália se terá apagado no tempo.

Bom dia com Johannes Vermeer

sábado, 12 de janeiro de 2013

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Em tempo de peste

"Crucificação",  1428, obra de Tommaso Masaccio (1401-1428) 

A um crucifixo

Há mil anos, bom Cristo, ergueste os magros braços
E chamaste da cruz: há Deus! e olhaste, ó crente,
O horizonte futuro e viste, em tua mente,
Um alvor ideal banhar esses espaços!

Porque morreu sem eco o eco dos teus passos,
E de tua palavra (ó Verbo!) o som fremente?
Morreste… ah! dorme em paz! não volvas, que descrente
Arrojaras de novo à campa os membros lassos…

Agora, como então, na mesma terra erma,
A mesma humanidade é sempre a mesma enferma,
Sob o mesmo ermo céu, frio como um sudário…

E agora, como então, viras o Mundo exangue
E ouviras perguntar: -de que serviu o sangue
Com que regaste, ó Cristo, as urzes do Calvário?-

in Os Sonetos Completos de Anthero de Quental, publicados por J. P. Oliveira Martins, Livraria Portuense de Lopes & C.ª –Editores, Porto, 1890