sexta-feira, 6 de maio de 2011

Mama com esta

O pessoal, por aqui, não deu por isso...


"Futebol
Equipas nacionais rendem 33 milhões de euros a Portugal"


título de Público de hoje

As sondagens: puro surrealismo





As sondagens –chegam a ser três, em 24 horas...- desbancaram há muito o mais habilidoso surrealista:



o PS e o PSD trocam, constantemente de lugar, ora um, ora outro à frente; o CSD/ PP também sobe e desce; o BE definha e logo engorda; o PCP parece o mais estável, mas modesto...



Resta-nos não levar a sério esta guerra de pressões, vindas daqui e dali e sempre na franja da hipótese com pés de barro ou mesmo sem pés, apenas com a força da especulação, a ânsia do spot, da cacha...



Sobretudo, e muito mal disfarçada, a tentativa de forçar o eleitor a votar neste ou naquele partido...



Resta-nos o riso. A gargalhada!

Feitios...




“O português resigna-se a tudo menos a não ter opinião ou a não deitar a sua sentença. E como se julga o mais competente, vá de impor-se e não permitir que os outros pensem diferentemente. O nosso sectarismo e mesquinhez social estão muito nisso.”

Aquilino Ribeiro, in Aldeia, Terra, Gente e Bichos

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Bom dia! Boa sexta-feira!

O encontro

'Primavera', 1914, óleo de Ferdinand Holder (1853-1918)


Em 1967, José Marmelo e Silva pedia uma educação humanística e justa

E,no entanto, 44 anos depois, o que a "educação" fabrica são legiões de robôs, de homens-coisas, de homens-parafusos da monstruosa máquina universal do pseudoprogresso neo-capitalista...


“Os objectivos da educação serão sempre e acima de tudo objectivos humanos e objectivos superiores. Não basta formar técnicos, novas peças de mais ou menos novos maquinismos, de novas empresas: é preciso formar homens solidários, homens para quem a palavra fraternidade não seja uma palavra inútil e sem sentido. Educar só poderá ser, terá que ser –consciencializar e humanizar. Numa palavra, terá que ser: ‘pôr termo às tendências de cosificação do homem."



José Marmelo e Silva, numa entrevista datada de 1967, in O Mágico Pressentir do Artista, CEJMS, 2011

Uma comunicação social irresponsável

O medo nosso de cada dia




Coisa normal



por Manuel António Pina



No intervalo do Barcelona-Real Madrid de terça-feira, o primeiro-ministro revelou ao país que várias medidas não constavam do acordo que o Governo demissionário nesse dia assinara com FMI, CE e BCE, desmentindo assim o que alguns jornais tinham abundantemente anunciado nos dias anteriores: fim dos subsídios de férias e Natal ou a sua substituição por títulos do Tesouro, despedimentos maciços na Função Pública, cortes nos salários, cortes nas pensões acima de 600 euros, redução do salário mínimo...



As cachas com que, nos últimos dias, alguns jornais encheram as primeiras páginas, alegadamente baseados em "fontes próximas das negociações entre o Governo e a troika", criaram tal clima de medo que muitos portugueses terão suspirado de alívio no final da comunicação do primeiro-ministro.



Resta saber quem forneceu a esses jornais (se não foram cozinhadas por eles próprios) as falsas e apocalípticas cachas, que arrefeceram de tal modo as expectativas dos portugueses quanto ao que aí vinha que, quando finalmente meteram mãos na realidade, esta - aumentos de impostos, congelamento do salário mínimo, subidas da electricidade, do gás e dos transportes, despedimentos fáceis e baratos, encerramento de hospitais e de urgências, etc., etc. - acabou por lhes parecer quente e acolhedora.

Facto é que certos jornais mentiram descaradamente aos seus leitores. E que estão calados, como se isso fosse coisa normal.



transcrito, com a devida vénia, do Jornal de Notícias de 05/05/11