'Golconda', 1953, de René Magritte (1898-1967) O que se passa em Portugal, passa-se em muitos outros lugares.
Em demasiados lugares.
O que nos leva a arrepelar-nos e a dizer que é “só aqui”, a acusar, porque “lá fora é de outra maneira”, “lá é melhor”, decorre do nosso isolamento secular.
Também, do nosso atraso cultural: contamos cerca de 60% de analfabetos.
Também, da mediocridade da nossa comunicação social, que não educa nem esclarece ninguém e aprofunda ainda mais a incultura geral.
(ontem, ‘surfei’ nas TVs nacionais -na RTP e nas outras- à hora morta..., morta de facto, inqualificável, com apresentadores irresponsáveis, que me pareceram conscientes do crime que cometiam, a ‘venderem produtos’ miseráveis, analfabetizadores, alienadores... vergonhosos... e isso ajuda muitíssimo a solidificar-se a ignorância geral... e a isso soma-se o desconhecimento da língua portuguesa que ostentam os relatores e comentadores das transmissões futebolísticas)
Jean-Daniel, director do le nouvel Observateur, comenta esta semana [poderás ler o seu blog no link: www.nouvelobs.com], as eleições cantonais que se realizaram, em França, nos dois últimos domingos, e lastima: “um francês, em cada dois, não esperava nada das eleições nem do Estado”.
Que é como quem diz: um em cada dois franceses descrê da utilidade de eleger seja quem for e dos que estão à frente do Estado.
Por cá... só 23% entenderam que valia a pena eleger um PR.
Por cá, o desencanto talvez seja de 2 em cada 3 portugueses.
É o terrível divórcio, entre os cidadãos e os políticos.
Acontece aqui, como acontece ali.
Assistimos a uma discussão que se situa noutro mundo, que não é nossa: discutem, lá longe,no mundo da política, que anda de braço dado com o da banca.
Da política que vive no círculo fechado... dos políticos.
Nós estamos fora: a ver.
E assustados.
Porque, no fim e ao cabo, somos nós quem paga e é dos nossos bolsos que sai o dinheiro.
E andamos angustidos stressados: lá no mundo deles, dos políticos e da banca, andam a decidir a nossa vida.
Vem aí o FMI? Vão aumentar os impostos? Vão-nos cortar nos salários? Vão-nos tirar os 14 meses anuais? Vão cortar ma participação nos remédios e saúde em geral?
Vai aumentar o desemprego?
Só nos resta emigrar, fugir daqui?
E a comunicação social, os politólogos e os políticos dedicam-se a aterrorizarem-nos ainda mais.
Somos zombies, homens e mulheres solitárias, indefesos –sentimo-nos indefesos e à mercê de desconhecidos.
A Irlanda -é um exemplo significativo a não perder de vista-, durante dois anos, vai pagar, à Banca, mais de 40% do seu PIB.
Porquê á Banca, se foi ela quem arranjou a crise que nos sufoca?





