sexta-feira, 9 de maio de 2014

O Presidente que não temos e de que precisamos urgentemente, antes que o nosso país desapareça, afogado na injustiça, no roubo e na miséria

O Presidente, na sua chácara e com a sua amiga cadelinha



O Presidente no seu gabinete de trabalho, sempre na chácara



O Presidente à conversa, em sua casa


José “Pepe” Mujica é o Presidente da República do Uruguai.

Vive na sua mini-quinta ou chácara, a meia hora da capital, Montevideu.

Ali recebe e trabalha, uma vez que declinou habitar no palácio presidencial.

Prescinde de 87% do seu vencimento que destina aos organismos empenhados na multiplicação e dignificação das habitações sociais.

São suas estas palavras ditas na Assembleia Geral da ONU, em 2013:

“A política, mãe eterna do futuro humano, acabou por se limitar à economia e às leis do mercado” (citado no Le Monde de 6 do corrente mês).

Aconselho-te a informares-te da política do governo de José "Pepe" Mujica: ficarás a saber que a utopia abre as portas da realidade justa e desejada.


Mais:

http://www.mensagenscomamor.com/frases-de-famosos/frases_jose_mujica.htm

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Da noite para o dia

São estas crianças, hoje homens, que sofrem -e de que maneira!- o assalto de um governo ultra-liberal e anti-25 de Abril, anti-igualdade social, anti-cultura, anti-liberdade democrática


O Verão de 1958 marcou a minha vida.

Arrancara a sonhada viagem a Paris, onde fiquei dois meses. Trazia comigo a desilusão de todos nós; ou, se quiserem, da esmagadora maioria dos portugueses: a fraude das eleições presidenciais de 8 de Junho do mesmo ano cuja violência, sentida, especialmente, na repressão policial das manifestações de apoio ao candidato da oposição, Humberto Delgado, se estenderia até ao 25 de Abril de 1974.

Quando entrei em Paris, que levava, além da desilusão? A consciência de deixar atrás um país anacrónico onde imperava a repressão do espírito, a polícia política e a censura, ao serviço de um ditador mesquinho.

Lembro-me de comprar L’Humanité, órgão do Partido Comunista Francês, e espreitar os arredores, não andasse por ali algum pide, algum bufo.

O português vivia com o medo dentro.

O meu destino era a Cité Universitaire, onde não existia Casa de Portugal e alberguei-me na Casa de Espanha. O dinheiro dava para um mês; acabei por ficar dois: o segundo, grátis, num quarto da Fondation Deustche de la Meurthe, a convite dum grupo de sul-americanos. Destaco o saudoso Pablo Guevara, poeta peruano, jovem de esquerda dura, que me adoptou e esclareceu. Todos eles sofriam do mesmo mal: o atraso e a falta de liberdade dos seus países. E, com eles, vasculhei Paris, jornais, livrarias, a preciosa Cinemateca, os bistrots: aventura livre.

Frequentei, também, os meios argelinos (fervia a guerra da Argélia), outros amigos preciosos; quando me decidi ir conhecer a Bélgica em auto-stop, um deles alertou-me: “Tem cuidado! És muito parecido connosco!”…

Regressei, com as pilhas carregadas; regressei outro: vira e vivera o mundo. 

Trazia, no saco, um romance: o Doutor Jivago, de Boris Pasternak, pouco depois, Prémio Nobel. A viagem era longa e recordo-me de enganar o tempo lendo-o avidamente e do cura espanhol que me espreitava desconfiado.

Esse livro e quanto lhe sucedeu -ter o regime soviético obrigado Pasternak a renunciar ao Prémio- confirmou-me aquilo que, mais tarde, já durante o decénio de freelancer no extinto Diário Popular, exercendo a crítica literária e, depois, dividindo com o saudoso Jacinto Baptista a feitura do suplemento cultural, verifiquei e experimentei na pele: a existência de duas censuras: a oficial e a comunista ou extremista a reclamar uma arte engajada -o terreno facilitava-lhes a intervenção: todos nós ansiávamos pela queda do salazarismo: éramos presa fácil.

Esperámos 16 anos pelo momento de nos tirarem a mordaça; um grupo de jovens capitães arriscou a vida e a carreira e devolveu aos portugueses a liberdade roubada há 48 anos.

Há quem não possa lembrar-se da monstruosidade salazarista, da PIDE, das torturas, do Tarrafal, de Peniche, de Caxias: cresceram ou nasceram depois do 25 de Abril.

Mas há quem, levianamente, ignore o tesouro que lhe confiaram: o direito a pensar, a falar, a escolher e a lutar pelas escolhas.  


No entanto, é evidente a corda bamba que pisamos hoje, agora e aqui. 

publicado no semanário guardense Terras da Beira , na Quinta-Feira de 24 de Abril de 2014  

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Para ti, também, pela voz do Maior...

7 de Maio: este dia é nosso...

"Jovem mulher com arminho", óleo de Leonardo Da Vinci


Amor

Antes que seu perfil me aparecesse,
Eu tinha gasto o coração a vê-la…
E erguendo aos céus as minhas mãos em prece,
O meu amor foi só reconhecê-la.

Como graça de Deus que me atendesse,
Sou seu amor, posso dizer-me de Ela…
Chamar-lhe minha, assim quem o pudesse,
Na noite da minh’alma única estrela!

P´ra meu amor é que Ela ao mundo veio;
E, assim, outrem amando-a, era parti-la,
Que alguma coisa de Ela há no meu seio.

Não será minha? Isso que tem para a Arte?
Estatuário que eu sou, hei-de esculpi-la;
Dá-la em beleza é o meu amor em parte.


Afonso Duarte in Rapsódia do Sol-Nado seguida do Ritual do Amor, Edição “Renascença Portuguesa”, 1916, Porto

Escadaria do antigo Liceu de Portalegre

terça-feira, 6 de maio de 2014

Coelho aconselha e ele lá sabe...

A descoberta possível

“Passos quer para Portugal espírito dos Descobrimentos (…) Portugal precisa ainda de atrair mais turistas, reencontrar o "espírito cosmopolita" que levou os portugueses aos quatro cantos do mundo e "dar-se" com os outros.”
in DN online de hoje

Atendendo ao estado das finanças dos portugueses comuns e à rasca -99%-, sem condições para viajar em busca das míticas minas de Salomão, toca-lhe frequentar um curso intensivo de carteirista e descobrir a arte: lançar o isco aos turistas e surripiar-lhes  a carteira, sejam de homem, de mulher ou unissexo.

p.s- É imoral? é amoral? Mas por onde anda a moral em Portugal? 

HOJE O ESTADO DE ISRAEL FAZ 66 ANOS





Um país de Liberdade e Humanismo que, há 66 anos, luta contra tudo e contra todos para sobreviver -e é o único país realmente livre e democrático do Médio-Oriente.

"...a terra onde brota o leite e o mel."

Bíblia, Deuteronimio, XXVI, 15

segunda-feira, 5 de maio de 2014