sexta-feira, 13 de abril de 2012

E vá lá a gente fiar-se do que dizem os jornais...

Imagem de Pasquino, em Roma: jornais ou pasquins? 

"O trotskista Mélenchon é o incómodo "terceiro homem" das presidênciais francesas"

in Público de hoje

O título é "chamativo" -um trotskista ameaça a direita e um socialista- mas não corresponde à realidade:

Jean-Luc Mélenchon não é nem nunca foi trotskista***

e vem em quarto lugar, nas sondagens referentes à presidenciais, publicadas ontem.

Para te certificares, basta abrires os links abaixo.

E é assim que se informa o público e se pratica pedagogia jornalística...

O PAC (o Processo de Analfabetização em Curso) ganha terreno.

http://fr.wikipedia.org/wiki/Jean-Luc_M%C3%A9lenchon


***Aliás, um " jornal de referência" deveria estar habilitado para saber que existe um candidato trotskista, nas eleições presidênciais  francesas, Philippe Poutou, o qual encabeça o NAP (Nouveau Parti Anticapitaliste), até agora com 1% nas sondagens...

Aproveita o fim de semana para ouvir e meditar esta canção histórica, este grito de liberdade e igualdade

No meio da total imoralidade em que vivemos, eis o desabafo justo...

El Roto in El País de hoje


"-Deixe-se lá do perdão dos pecados, o que nós queremos é que nos perdoem as hipotecas!"

Não tenhas medo de correr sozinho, se a tua corrida for verdadeiramente tua



"O último jockey", 1948, óleo de René Magritte


No seu encantador blog, Palavras Daqui e Dali, Isabel lançou um repto: “qual o melhor livro que já lhe ofereceram, qual o livro que mais oferece?”.


Indiquei António Nobre e a obra-prima “Só”; Camilo e a obra-prima “Amor de Perdição”.

Justamente, e também propositadamente.

Porque sabia que iria provocar o seguinte comentário: “é de outro tempo, não está actualizado”.

Engana-se quem assim falou: sou do meu tempo; vivo comigo, para compreender os outros e dialogar, realmente, com eles.

Em primeiro lugar, a Arte não tem tempo nem evolui, nem se aperfeiçoa.

Sófocles é tão moderno quanto o melhor dramaturgo de hoje; Giovani Bellini, idem, se pensares em Picasso; Bach, idem, se pensares em Arnold Schönberg; & etc.

A obra de Arte objectiva e ilustra o encontro, com a vida, de quem a cria.

E a intensidade, complexidade e fecundidade desse encontro, eis o que interessa.

Depois, eu não quero aderir a uma sociedade superficial, de espectáculo e velocidade obsessivos; não ando a correr atrás do que me dizem anúncios, jornais, tvs, nem as bocas do mundo.

E considero pobres vítima dessa publicidade, agressiva e interesseira, aqueles que, em vez de interrogarem, se abandonam à onda constituinte de um momento estéril, que é o nosso.

Foi sempre assim –a imposição da facilidade e da mediocridade?

Com certeza que o gosto mundano e superficial sempre existiu; mas, agora e aqui, como nunca, a desumanização e a robotização comandam os nossos dias cinzentos e parados.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Diz Coelho...

 
Comentário possível e p'ra desopilar: é de quem a apanhar...

Passos Coelho: "A regra de ouro não é de esquerda nem de direita"

in Público de hoje

Brincar com a desgraça...



Sem o futebol, que será desta gente?...

"E se o maior clube de África abandonar o futebol?"

in Público de hoje

Ler esta "gravíssima" notícia, na página online do Público, diário a que chamam de referência, dá lugar a um sorriso amargo -e traduz o nível de cultura a que por aqui chegámos: o que nos preocupa não vale um tostão furado...

Abandonada e espoliada, está a África, há muitos anos!

Desde a colonização à descolonização e à post-colonização.

Depende lá a vida, tão difícil!, do africano, dos pontapés que dá ou não na bola!?

É preciso ter lata, ou querer vender a banha toda, ou haver perdido o sentido do ridículo, para dar relevo a um problema desses.

Cabe perguntar: o que será de nós, se a imprensa abandonar, total e definitivamente, a exigência de qualidade informativa e pedagógica?

Pobre Portugal, abandonado espoliado, ele também!

As palavras que nos envergonham

Antero de Quental

“O que se vai passar em Portugal é seríssimo [podes ler: ‘o que se passa em Portugal é seríssimo...]. Faça cada um o seu sacrifício n o altar da Pátria. Eu sacrifico a minha saúde, que naufragará de todo no meio disto, e muito provavelmente o meu nome, que antes de 6 meses estará manchado. Não importa. Quero sacrificar a vida, e morrerei contente se tiver vivido 6 meses ao menos da verdadeira vida de homem que é a da acção por uma grande causa.”

Antero de Quental, em Carta a Jaime Magalhães de Lima, de 9 de Fevereiro de 1890, Vila do Conde

E nós assistimos à destruição de um país, ao galope impiedoso e ganancioso do capitalismo financeiro, à agonia de conquistas constitucionais, ao emprego precário, ao desemprego, à emigração de centenas e centenas de milhares de portugueses, ao enterro da Cultura, ao crescer da fome, da miséria –e resignamo-nos, viramos as costas, escondemo-nos, ignoramos os outros, tratamos de nós, “cada um por si”, regra de oiro para não incomodar as quadrilhas que nos roubam a condição de pessoas dignas e os direitos que nos cabem.

Sim, essas palavras de Antero, envergonham-nos.