segunda-feira, 2 de abril de 2012

A eutanásia já é permitida em Portugal

Condenados à morte: quadro de Zoran Music, 1975, Tate Gallery, Londres

A política financeira do governo liberalizou a eutanásia em Portugal.

E ela foi aceita.

Vejamos.

Surgem, agora, muitíssimo justamente, os funcionários públicos a reclamar a actualização dos seus vencimentos, de par com aquela que o governo promete às forças armadas.

E os aposentados?

Não entram na conta?

Ao omiti-los, o funcionalismo público -ou quem isso faça- pactua com o governo, na política de exterminação.

Aos aposentados, aos idosos, resta-lhes morrer de fome e de doença, sem dinheiro para a comida e para os remédios?

O governo liberta, assim, Portugal, do que, pelo visto e sofrido, considera o governo massa morta e, obviamente, a enterrar depressa?

E opta pela eutanásia, que pratica.

Agora, o governo sorri, porque o silêncio dos mais -dos no activo- lhe aprova o plano;

ao exigir a actualização dos vencimentos, ignorando os aposentados, o funcionalismo público consagra o princípio do neo-liberalismo: cada um trata de sia solidariedade social é para esquecer.

Na selva da concorrência mercantil, salve-se quem puder.

Obviamente também, adiam, os funcionários públicos no activo -e os outros que comunguem da mesma atitude-, o conhecimento, a consciência do genocídio social em curso.

Safe-se, salve-se quem puder... Trata de ti!

E fingem que não sabem que este governo é o governo da limpeza:

atira os jovens para o desemprego e aconselha-os a emigrar; corta na bolsa dos aposentados e acelera-lhes a morte.
Limpa Portugal do joio dos necessitados e protege a elite dos endinheirados.

E renasce Portugal, todo ele cinzas...

p.s. eu não tenho nada contra a eutanásia, a morte escolhida; revolta-me, porém, a eutanásia em curso no nosso país: a eutanásia por escolha política.


 

As asneiras do governo

in Público de hoje

Jornais



http://www.jn.pt/Opiniao/default.aspx?content_id=2397175&opiniao=Manuel%20Ant%F3nio%20Pina

http://tempsreel.nouvelobs.com/jean-daniel/20120328.OBS4859/la-religion-et-le-meurtre.html

http://www.temoignagechretien.fr/ARTICLES/Éditorial/Le-jardin-de-Rachi-/Default-41-3662.xhtml

Um adeus veneziano





Duas imagens do quadro com que Aldo Zari se despediu do Palazzo Carminati

O velho palácio em que Giacomo Zurlini acolhe Greta, a jovem mulher que lhe bate aos vidros da janela, ainda madrugada -refiro personagens da minha novela A Mulher Nua-, existe e chama-se Palazzo Carminati, bairro de Santa Croce, Veneza.

Ali se hospedam artistas plásticos, bolseiros da Fondazione Bevilacqua La Massa, e um deles foi Aldo Zari.

Durante cinco anos, Aldo viveu e trabalhou num amplo quarto, bottega, estúdio, sito no quinto e último andar do Palácio.

Esgotados os cinco anos de bolsa, Aldo disse adeus ao Palazzo Carminati e pintou o quadro que reproduzo acima -e fez questão em oferecer-mo.

Hoje, essa pequena joia está-me à vista, ao lado do maple onde me sento, a ler livros e a escurecer papéis,

abençoado, assim, pelo meu querido -e tão saudoso!- amigo, Mastro Aldo Zari, o pintor mais pobre de Veneza.   

domingo, 1 de abril de 2012

O caso Frans Masereel (1889-1972)





O precursor das histórias aos quadradinhos

Saber mais:

E, com este governo, não iremos sair do buraco que ele próprio cavou...

O poço: vivemos num susto permanente


Esta frase de Jean-Claude Junker, primeiro-ministro do Luxemburgo e presidente do Eurogrupo, colhe pela trágica verdade e actualidade:


“a austeridade imposta à Grécia [podes ler: a Portugal] foi um erro grave. Teria sido mais lógico, apontar, desde o princípio, ao crescimento.”

Comentando-a, Jean-Claude Guillebaud, no Le nouvel Observateur da semana, acrescenta:

“Ter-se-iam evitado as noites de motins, os suicídios de comerciantes, o desnorteamento dos jovens obrigados a refugiarem-se em casa dos pais, o desmantelamento acelerado dos serviços públicos...”

Aqui fica à tua atenção –porque sofres as consequências do disparate e já percebeste que os que nos governam não irão corrigir a asneira criminosa.

Bom dia!

"
Basílica de São Marcos, em Veneza", 1948, tela de Zoran Music