Continuando a reler Moi Je, o primeiro volume dos ensaios autobiográficos de Claude Roy, deparei com a evocação duma sua amiga, Adrienne Monnier, alfarrabista (e escritora) na Rue de l’Odéon, em plena Rive Gauche parisiense. E saltaram-me aos olhos estas palavras, dir-se-iam destinadas às duas jovens mulheres que criaram a já tantas vezes aqui citada Livraria Lumière, da Travessa da Cedofeita, no Porto:
“Gostaria de fazer o elogio dos livreiros que escolheram esse ofício não apenas por necessidade de ganhar a vida mas, também, por paixão pelos bons livros e a alegria de levar os visitantes a amá-los, pois que os visitantes são, ao mesmo tempo, seus amigos e seus clientes.”
E Claude Roy acrescenta:
“Adrienne Monnier dizia: “Ser livreiro é, antes de mais, um comércio”. Mas dizia, ainda, que encontrara, em La Ville, de Claudel, a melhor definição daquele que era o seu comércio [não traduzo, por receio de vulgarizar os versos de Paul Claudel]:
“Comme l’or est le signe de la marchandise, la marchandise aussi est un signe/ Du besoin qui l’appelle, de l’effort qui la crée/ Et ce que tu nomes échange, je le nomme communion.”
Comunhão=Amizade... Um grande passo em frente, na estrada da vida.