quarta-feira, 18 de junho de 2014

Na partida de um rei

Juan Carlos I

Republicano de raiz, descendente de republicanos –ao correr da pena, lembrarei que meu avô materno, Álvaro Poppe foi um dos conjurados do 5 de Outubro de 1010 e meu avô paterno, Acácio Lopes Cardoso, deputado republicano desde a primeira hora-, socialista humanista e democrático, talvez os valores morais que tal acarreta, me levem a expressar a minha admiração e o meu respeito por Juan Carlos I, rei de Espanha.

Juan Carlos I abdicou, hoje, o trono de Espanha, em favor de seu filho.

Dos 39 anos do seu reinado, recordo o gesto que salvou a democracia: quando, um golpe de estado de ultra-direita, uma tentativa terrível de repor o franquismo, levou à ocupação do congresso de deputados, pela Guarda Civil, comandada pelo tenente-coronel Tejero; quando o general Jaime Milan del Bosch, à frente da região terceira região militar, Valencia, ocupou as ruas da cidade com tanques; quando os estúdios da Televisão Espanhola, em Prado del Rey, Madrid, foram ocupados, Juan Carlos I assumiu condenar o golpe e impôs a sua presença na Televisão a expressá-lo.

Creio não me enganar se disser que esse gesto salvou a Espanha livre –e, muito provavelmente, e por ricochete, sofreríamos nós e a nossa jovem II República momentos bem difíceis.

Mais que não fosse, só por isso, que foi muitíssimo!, têm os espanhóis, seja qual seja a sua convicção política, uma dívida indelével para com um rei que jamais pediu lha pagassem.

Honra a um Homem corajoso, coerente e honrado!  


2 comentários:

  1. Associo-me a esta homenagem.
    É tão bom ser um homem lúcido, Manuel Poppe.
    (Deve ter uma gralha na data.)

    Bj.

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  2. Ana, fico contente por saber da sua atitude. Já corrigi o erro e muito lhe agradeço me tenha lembrado. Um abraço.

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