Herberto Helder
A
capa acima é a do novo livro de Herberto Helder, A
Morte Sem Mestre (Porto Editora).
Algures, espera-me um exemplar da obra que –espero- me será entregue amanhã.
Entretanto, desenterrei do meu arquivo o apontamento já aqui publicado há cinco
anos. Correm por aí vozes, alaridos: a feira literata elogia e condena, típico ser de um meio decadente, “mundo”
do bláblá autopromocional…
Prometo
voltar, sobre essa morte realmente sem mestre, obra de Mestre, porém.
O POETA CÓSMICO
1. Herberto Helder: entregue-se o leitor à obra que se lhe oferece (“Ofício Cantante, poesia completa”, Assírio & Alvim). Eis a viagem reparadora, num tempo de histriões. Malcolm Lowry escreveu, em “Under the Volcano”: “ele próprio estava no Inferno”. O Inferno obriga à luta e à queixa. A morte é certa e improvável porque no instante que passa brilha a eternidade. Herberto: “Cantar? Longamente cantar./ Uma mulher com quem beber e morrer.” A que veio Lowry? Aproxima-os o ferro em brasa diante do amor e da morte. O trágico modo de interpelar a vida. A autodestruição? Porque “a morte está tão atenta à tua força contra ela,/ enquanto ávido e acerbo cantas debaixo da água enviada,/ acaso contes adormecê-la com a música turva?”, interroga o poeta. E o amor, exaltado e agredido, quase inimigo necessário à liça eterna: o sexo? Origem de tudo? Armadilha de Deus? Que outra coisa Ele, Deus, não é senão o Juiz que faltou ao julgamento –e nos abandonou, nos deixou um sexo inútil e uma vulva que apodrece, enquanto se abre, vibra e nos atira para aqui -para a vida-, excrescências suas? Repete-se o sacrifício de Isaac, em que havia um filho e um pai. E Deus. Depois, o Anjo, o cordeiro e o sangue. Mas o sangue que jorrou é o nosso. “Dai-me uma jovem mulher com a sua harpa de sombra/ e o seu arbusto de sangue. Com ela/ encantarei a noite”. Ferve por dentro o poeta, “até que Deus é destruído pelo extremo exercício da beleza”. À volta, o silêncio do cosmos e o grito do homem.
2. É impossível definir (limitar) o génio de Helder. Pergunto: não deveria a Academia Sueca corrigir o erro de 1998, distinguir o poeta, honrando, finalmente, a Literatura Portuguesa?
(27 de Março de 2009)


Amigo Manuel, apenas hoje consegui um exemplar... Pelo que também ainda não li.
ResponderEliminarUm beijinho.:))
Bom fim de semana, querida Cláudia! Na passada 4ª feira tive um "acidente de percurso"... Um beijo grande.
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