Infinito
Isaac Bashevis Singer
Talvez por retomar a
leitura de Isaac Bashevis Singer, escritor que me deslumbrou nos anos 80,
quando ainda vivia em Itália, e continua a deslumbrar-me e apaixonar e me repõe
as questões essenciais do viver connosco, com os outros, com a vida e a morte, vo-lo
trago, de novo.
Certamente por
atravessarmos um tempo cinzento, um tempo dramático, a que chamam crise e, mais tremendo do que isso, se
diria, antes, cataclismo, fractura, desregulamento,
eclipse ética, abismo ou,
simplesmente, túnel sem luz nem saída -aqui
volto a citar Singer cujo oficio talvez tenha sido a busca de resposta à sua perplexidade.
De Conversations
with Isaac Bashevis Singer (Doubleday and Company, Inc., New York, 1978) transcrevo:
“Richard Burgin- Em que acredita?
Isaac
Bashevis Singer- Acredito numa espécie de vida após a morte. No entanto, como
não há prova disso, não posso garantir às pessoas que seja verdade. Procuro [nos
livros] que aquele que crê diga “Eis a
imortalidade” e que o que não crê pense ser, apenas, imaginação do escritor.
Assim procedi em todas as minhas histórias onde aparece o sobrenatural.
Podemos, sempre, encontrar-lhes uma explicação subjectiva e uma explicação
objectiva.
B.-
No entanto, fecha o episódio de Clara [in O Domínio] afirmando: “Ela é um fragmento da eternidade”.
S.-
Com certeza. Essa questão não se põe. Todos nós somos fragmentos da eternidade.
B.-
Em que sentido?
S.-
Fazemos parte do universo e o universo é certamente eterno. Mesmo que não acreditemos
em milagres, apesar de tudo, somos fragmentos da eternidade.”
*****
Não creio que este
breve pedaço da conversa Singer-Burgin resolva a nossa angústia ou acalme o nosso desespero e
revolta; mas que tem que ver com isso… tem. Ou não?


Somos um fragmento tão insignificante do Universo. Um simples grão de pó.
ResponderEliminarEu acredito que alguma coisa existe para lá da morte, para que a nossa passagem pela vida tenha algum sentido.
Um beijinho :)
Querida Isabel, um imenso grão de pó que transporta uma alma dentro... Bjs.
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