Tempo do
imediato, do superficial, do instante vazio
Esse é o nosso: o que vivemos, hoje.
Vivemos?
Ou abordamos o instante e deitamos fora e continuamos
a ver se vem outro e abandonamos esse e outro e outro, na corrida que é fuga
E o instante será, sempre, imagem fugaz.
Somos nós
que o transformamos nisso, embriagando-nos para esquecer a vida que um acidente
não por nós solicitado nos atirou para cima.
Não
assumimos a vida: massacramos a vida , passamos a vida pela máquina de triturar que descobrimos em nós e é a nossa salvação.
E é obra do nosso
medo.
Da nossa
angústia.
Da nossa
solidão.
Ou da nossa
covardia?
A solidão
somos nós que a construímos: é o nosso refúgio.
Não damos
por isso, eu sei -porque nos anulamos -e anulamos a nossa angústia-, no grande
baile cuja febre anestesia e adia.
Um
esquecer sempre breve e um modo de quebrar o espelho em que o dia a dia nos
obriga a a olhar-nos.
Queimamos o
tempo.
Temos medo
do tempo.
Fugimos ao
tempo, sem reparar que perdemos a sua riqueza.
Exactamente:
perdemos a riqueza do instante.
Mais
simples? Viramos as costas à vida.
O que,
afinal, significa, que viramos as costas a nós próprios.
Não descemos
dentro de nós nem dentro do outro.
E o interior
de cada um é um vulcão riquíssimo -precioso.
Desistimos.
Sem dúvidas:
o tesouro -assim o entendemos- encontra-se no mais fundo da inconsciência.
No âmago do
turbilhão que anestesia e esconde.
Mas o vórtice a
que nos abandonamos leva tudo.
Leva a
aventura.
Porque
nenhum dos nossos gestos é aventureiro: é o gesto que nos instala na imensa
fila daqueles que desistiram.
Aconchega-nos
o calor dos que criam e criaram a tal fila?
Mas como, se a fila interminável é um acumular de almas geladas?

É exactamente assim!
ResponderEliminarBeijinhos
Luísa, e é o desastre... Perdeu-se o humanismo, a aventura... o amor... Um beijo.
ResponderEliminarUm texto que nos faz pensar.
ResponderEliminarEu não quero ser só assim!
Um beijinho :)
Isabel, ainda bem, querida amiga. Mas pensar é a última coisa que preocupa as pessoas, hoje.
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