Soneto IV
Apavorado
acordo, em treva. O luar
É
como o espectro do meu sonho em mim
E
sem destino, e louco, sou o mar
Patético,
sonâmbulo e sem fim.
Desço
na noite, envolto em sono; e os braços
Como
ímãs, atraio o firmamento
Enquanto
os bruxos, velhos e devassos
Assobiam
de mim, na voz do vento.
Sou
o mar! sou o mar! meu corpo informe
Sem
dimensão e sem razão me leva
Para
o silêncio onde o Silêncio dorme
Enorme.
E como o mar dentro da treva
Num
constante arremesso largo e aflito
Eu
me espedaço em vão contra o infinito.
Estoril,
1939
in
presença, Número 2, Série II, ano XII, Fevereiro de 1940
Vinicius de Moraes (1913-1980)


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