domingo, 6 de abril de 2014

Uma casa portuguesa e com certeza um monstrinho que faz parte de um gueto

Um trabalho de Shiger Ban ou viver a sério

Le Monde, é há muitos anos, um dos meus quotidianos; certo que, para não perder a ligação a Itália, o país onde abri os olhos para a Liberdade (tomei posse do meu posto em 9 de Janeiro de 1975, e deixava um Portugal ainda marcado -como, aliás, continua- pelos quase 50 anos de salazarismo), sacrifico os olhos para entender a edição que por cá se vende do Correire della Sera e, na nete, devoro La Stampa. Muitas vezes, é o El País que procuro.

Ora, precisamente, no Le Monde de ontem, topei um artigo de Michele Guerin sobre Shiger Ban, o japonês laureado com o Prémio Pristker, de arquitectura.

Queixou-se o Shinger: “Quando passei a ser um arquitecto, desiludiram-me os meus colegas dessa profissão. Cabe-nos ter uma acção social. Mas a verdade é que trabalhamos para os privilegiados, os ricos, os poderosos.”

E acrescento eu: projectam-se e constroem-se prédios destinados c completarem a fortaleza dos ricos.

É verdade.

Aqui, em Portugal, a construção permitida é escandalosa: não só criam guetos como destroem, sistematicamente, a paisagem.

Quando vivia em Itália, vi, na RAI, um filme sueco que me ficou para sempre: a minoria -cada vez mais mini- fechada numa cidade de luxo, que os defendia… dos pobres… que eram -e são- biliões…

Esse filme de ficção social é hoje uma brutal realidade.

Os pobres vivem em guetos e colmeias, quando não vivem na rua.

Até quando?

Não sei; mas pressinto um imenso e com certeza violento terramoto a bater à porta.

Particularmente, entre nós.

   

1 comentário:

  1. Manuel, li um dia uma expressão que me deixou a pensar e me incomodou. estava inserida no contexto da delinquência infantil, abandono, maus tratos... "estava fechado na rua".
    Numa primeira análise, parece um pouco fora do contexto do que o Manuel escreveu, mas se pensarmos bem não está!
    Pois cada vez existem mais pessoas fechadas na rua!
    Pessoas abandonadas, privadas dos seus objectos, do conforto, de segurança... de AMOR!!

    ResponderEliminar