Um trabalho de Shiger Ban ou viver a sério
Le
Monde, é há muitos anos, um dos meus quotidianos; certo
que, para não perder a ligação a Itália, o país onde abri os olhos para a
Liberdade (tomei posse do meu posto em 9 de Janeiro de 1975, e deixava um
Portugal ainda marcado -como, aliás, continua- pelos quase 50 anos de
salazarismo), sacrifico os olhos para entender a edição que por cá se vende do Correire della Sera e, na nete, devoro La Stampa. Muitas vezes, é o El País que procuro.
Ora, precisamente, no Le Monde de ontem, topei um artigo de
Michele Guerin sobre Shiger Ban, o japonês laureado com o Prémio Pristker, de
arquitectura.
Queixou-se o Shinger: “Quando passei a ser um arquitecto, desiludiram-me os meus colegas dessa profissão. Cabe-nos ter uma acção social. Mas a verdade é que trabalhamos para os privilegiados, os ricos, os poderosos.”
E acrescento eu:
projectam-se e constroem-se prédios destinados c completarem a fortaleza dos
ricos.
É verdade.
Aqui, em Portugal, a
construção permitida é escandalosa: não só criam guetos como destroem, sistematicamente,
a paisagem.
Quando vivia em Itália,
vi, na RAI, um filme sueco que me ficou para sempre: a minoria -cada vez mais
mini- fechada numa cidade de luxo, que os defendia… dos pobres… que eram -e
são- biliões…
Esse filme de ficção
social é hoje uma brutal realidade.
Os pobres vivem em guetos
e colmeias, quando não vivem na rua.
Até quando?
Não sei; mas pressinto
um imenso e com certeza violento terramoto a bater à porta.
Particularmente, entre
nós.

Manuel, li um dia uma expressão que me deixou a pensar e me incomodou. estava inserida no contexto da delinquência infantil, abandono, maus tratos... "estava fechado na rua".
ResponderEliminarNuma primeira análise, parece um pouco fora do contexto do que o Manuel escreveu, mas se pensarmos bem não está!
Pois cada vez existem mais pessoas fechadas na rua!
Pessoas abandonadas, privadas dos seus objectos, do conforto, de segurança... de AMOR!!