sexta-feira, 18 de abril de 2014

Sexta-Feira de Paixão

"Crucificação", obra de Antonello da Messina

CRISTO

Quando eu nasci, Senhor, já tu lá estavas,
Crucificado, lívido, esquecido.
Não respondeste, pois, ao meu gemido,
Que há muito tempo já que não falavas.

Redemoinhavam, longe, as turbas bravas,
Alevantando ao ar fumo e alarido.
E a tua benta Cruz de Deus vencido,
Quis eu erguê-la em minhas mãos escravas!

A turba veio então, seguiu-me os rastros;
E riu-se, e eu nem sequer fui açoitado,
E dos braços da Cruz fizeram mastros…

Senhor! Eis-me vencido e tolerado:
Resta-me abrir os braços a teu lado,
E apodrecer contigo á luz dos astros!

José Régio in Biografia

2 comentários:

  1. Uma bela escolha, Manuel.
    Desejo uma Páscoa feliz!
    Saudades.

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  2. É um belo poema e igualmente a pintura!
    Desejo-lhe um bom dia!

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