sábado, 23 de junho de 2012

Uma poesia de Ana Akhmatova


"Ana Akmatova", 1914, óleo de Nathan Altman (1889-1970)


A noite

A noite no jardim
tinha dor inexplicável.
Um cheiro de maresia
vinha das ostras no gelo.
Ele disse. “Sou fiel!”
e tocou-me no vestido.
Tão diverso de um abraço
era o toque dessas mãos.
Como quem acaricia
um gato ou um passarinho,
sorria, com os olhos calmos,
sob o ouro das pestanas.
A voz triste dos violinos
cantava, em meio à névoa:
“Dá graças a Deus que enfim
estás a sós com o amado.”

(1913)


Nota: pedido emprestado ao blog "A moça do sonho"

5 comentários:

  1. Olá Manuel Poppe, gostei tanto deste quadro que lho " roubei". Aprecio o seu bom gosto, e não me esqueço de Portugal, claro!

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  2. Maria José, também eu me lembro de Celorico...

    Ainda bem que gostou do quadro. A poesia pareceu-me muito bela e lamento não poder lê-la em russo, porque a poesia é intraduzível.

    Um abraço.

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  3. Isabel, fico muito contente. Um grande abraço!

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