É o que acontece, quando abro os “cadernos de bordo”, ou cadernos do viajante, apontamentos, memórias de Claude Roy, publicados já na última década de vida.
Roy, um globe-trotter, apaixonado pelos encontros e pela diversisade, faculta-me o seu mundo e a experiência dele.
Em Chemins Croisés (Gallimard 1997), apontou esta história deliciosa:
ornitólogo amador, veio ele a saber da mulher de um pássaro boémio, que, sentindo-se abandonada no ninho, imitou o canto de um macho; ouvindo-o, o esposo, asas para que vos quero?, logo correu para casa, à cata do intruso que queria roubar-lhe a mulher, e, certamente, disposto a dar-lhe cabo do pelo, isto é, das penas...
Megalómanos, nós, os homens, somos afinal como outros bichos, companheiros de um dia-a-dia cuja origem e fim desconhecemos.

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