domingo, 8 de abril de 2012

O dia


"Bordighera", 1884, óleo de Claude Monet


Ressurreição

Desta minha janela, agora aberta
Sobre uma quietação nostálgica de Inverno,
Com um sol que é só lembrança
De um outro sol mais fúlgido e mais brando,
Que nunca mais senti como em criança;

Desta janela que, a sonhar, deserta,
Fica sem ver sua paisagem, quando
Na manhã silenciosa que desperta
Um vento frio e fino vai passando;

Desta janela de paisagem vária,
Como os meus olhos, quando a via,
Onde tenho passado instantes raros,
De uma sem par melancolia;
Os desígnios de Deu são-me hoje claros.
Leves e doces, como a luz do dia...

Francisco Bugalho in Na Mão de Deus, Antologia da Poesia Religiosa Portuguesa, organizada por José Régio e Alberto de Serpa

7 comentários:

  1. Obrigada por este belo poema.
    Uma Páscoa feliz, querido amigo!

    ResponderEliminar
  2. Um poema muito bonito e uma bonita pintura.
    Um bom domingo para si.

    ResponderEliminar
  3. Obrigado, Isabel! Bom domingo para si!

    ResponderEliminar
  4. Muito bonito! Li-o no final desta Páscoa e faz tanto sentido.
    Beijinho.

    ResponderEliminar
  5. Lindo poema e pintura do Monet, artista que aprecio imenso.

    Abraço

    ResponderEliminar