"O último jockey", 1948, óleo de René Magritte
No seu encantador blog, Palavras Daqui e Dali, Isabel lançou um repto: “qual o melhor livro que já lhe ofereceram, qual o livro que mais oferece?”.
Indiquei António Nobre e a obra-prima “Só”; Camilo e a obra-prima “Amor de Perdição”.
Justamente, e também propositadamente.
Porque sabia que iria provocar o seguinte comentário: “é de outro tempo, não está actualizado”.
Engana-se quem assim falou: sou do meu tempo; vivo comigo, para compreender os outros e dialogar, realmente, com eles.
Em primeiro lugar, a Arte não tem tempo nem evolui, nem se aperfeiçoa.
Sófocles é tão moderno quanto o melhor dramaturgo de hoje; Giovani Bellini, idem, se pensares em Picasso; Bach, idem, se pensares em Arnold Schönberg; & etc.
A obra de Arte objectiva e ilustra o encontro, com a vida, de quem a cria.
E a intensidade, complexidade e fecundidade desse encontro, eis o que interessa.
Depois, eu não quero aderir a uma sociedade superficial, de espectáculo e velocidade obsessivos; não ando a correr atrás do que me dizem anúncios, jornais, tvs, nem as bocas do mundo.
E considero pobres vítima dessa publicidade, agressiva e interesseira, aqueles que, em vez de interrogarem, se abandonam à onda constituinte de um momento estéril, que é o nosso.
Foi sempre assim –a imposição da facilidade e da mediocridade?
Com certeza que o gosto mundano e superficial sempre existiu; mas, agora e aqui, como nunca, a desumanização e a robotização comandam os nossos dias cinzentos e parados.
Manuel,
ResponderEliminarA arte e a escrita excelenete que evocou é intemporal.
Mais uma vez, estou inteiramente de acordo com estas ideias e com a beleza crítica do texto que criou.
Beijinho. :)
Ana, obrigado pelas suas palavras.
ResponderEliminarPalavras que gostaria de ter escrito e com que concordo em absoluto.
ResponderEliminarTambém penso como a Ana,a arte é intemporal, os bons livros são intemporais. Gosto muito dos dois livros que escolheu e não penso que esteja desactualizado.
ResponderEliminarAcho muito interessantes estes desafios, porque há opiniões tão diversas.
Muito obrigada por ter colaborado. Gostei muito de saber as suas escolhas.
A pintura que escolheu é linda e o título deveria ser um lema "Não tenhas medo de correr sozinho, se a tua corrida for verdadeiramente tua."
Desejo-lhe um bom fim-de-semana
hmf, consegui publicar o seu comentário. Muito obrigado. E afinal poderia ter escrito as mesmas palavras... que vão ao invés do terror generalizado de não estar na onda... Um abraço!
ResponderEliminarIsabel, obrigado pelas suas palavras. Pois use como lema esse título! Bom fim de semana, querida amiga!
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