O crime de lesa gramática:
"O triunfo sobre o Getafe foi dedicado a Abidal, que esta terça-feira foi transplantado ao fígado."
"O triunfo sobre o Getafe foi dedicado a Abidal, que esta terça-feira foi transplantado ao fígado."
in A Bola de ontem
Sou leitor d’ A Bola, desde criança.
Nas páginas d'A Bola, aprendi muito de jornalismo (há 53 anos que escrevo para os jornais e trabalhei 10 anos, no suplemento cultural do extinto Diário Popular, onde me cruzei verdadeiros Mestres do jornalismo, Jacinto Baptista, por exemplo).
E A Bola também teve Mestres: basta citar Carlos Pinhão.
A Bola foi, sempre, um jornal desportivo ‘especial’ -culto.
João Gaspar Simões, até hoje, o maior de todos os críticos literários portugueses, colaborou ali: a rúbrica intitulava-se ‘Cartas a um jovem desportista que se interessa pela cultura’ (e a editora Escritor publicou-as no ano 2000).
Ler hoje, uma asneira destas, que leva a concluir que se deu a transplantação de Abidal para o próprio fígado, quando se quereria dizer que Abidal foi sujeito a uma transplantação de fígado (o fígado que tinha já não será o mesmo); deparar com tal desconhecimento da nossa língua, arrepia.
E custa que isso aconteça no meu jornal de estimação, no mítico A Bola.
Porque calinadas aos molhos estou habituado eu a ouvir nas TVs, aos que relatam e comentam os jogos.
Ou brincos assim:
“as equipas vão entrar na superfície de jogo”...
Pobre Camões, pobre Camilo, pobre Tomaz de Figueiredo, pobre João de Araújo Correia... pobre do nosso povo que ainda sabe e diz que um boi se chama boi...

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