quarta-feira, 18 de abril de 2012

Bom dia com um poema muito belo



"No sopé da montanha", 1892, óleo de Paul Gauguin




Última vontade

Pousa as mãos doridas na pedra
Que desigual aflora
Na terra adormecida, regada pelas lágrimas
Do tempo. Pousa
Olha. Sonha duramente a distância
Cativa
- Pélago da alma transfigurada
E justa. Pousa
O peso da vida na paisagem deserta
Das tuas mãos doridas...

Quando vier
Simbólica, cruel, a que se elege,
Leito de pedra, pluma,
Planta, gazela, olhos tranquilos líquidos,
Repousa.

Ruy Cinatti in O Livro do Nómada meu Amigo, 1958

2 comentários:

  1. Já é mais que boa tarde, mas de qualquer maneira: "Bom dia!"
    É lindo o poema e a pintura.

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  2. Isabel, e poucos falam deste poeta! Um abraço!

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