Antero de Quental
“O que se vai passar em Portugal é seríssimo [podes ler: ‘o que se passa em Portugal é seríssimo...]. Faça cada um o seu sacrifício n o altar da Pátria. Eu sacrifico a minha saúde, que naufragará de todo no meio disto, e muito provavelmente o meu nome, que antes de 6 meses estará manchado. Não importa. Quero sacrificar a vida, e morrerei contente se tiver vivido 6 meses ao menos da verdadeira vida de homem que é a da acção por uma grande causa.”
Antero de Quental, em Carta a Jaime Magalhães de Lima, de 9 de Fevereiro de 1890, Vila do Conde
E nós assistimos à destruição de um país, ao galope impiedoso e ganancioso do capitalismo financeiro, à agonia de conquistas constitucionais, ao emprego precário, ao desemprego, à emigração de centenas e centenas de milhares de portugueses, ao enterro da Cultura, ao crescer da fome, da miséria –e resignamo-nos, viramos as costas, escondemo-nos, ignoramos os outros, tratamos de nós, “cada um por si”, regra de oiro para não incomodar as quadrilhas que nos roubam a condição de pessoas dignas e os direitos que nos cabem.
Sim, essas palavras de Antero, envergonham-nos.

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