quarta-feira, 7 de março de 2012

A viagem sem fim

"O Monte Elbrus", 1898-1909, óleo de Arkip Kuinji (1842-1910)


"Existe uma estranha confraria: a confraria dos amigos de ‘Debaixo do Vulcão”Não se conhecem todos os membros e esses não se conhecem entre si”, escreve Maurice Nadeau, na breve introdução ao romance de Malcolm Lowry (Buchet/Chastel Corrêa, 1960).

Pertenço à confraria e, através da surpreendente blogoesfera, fiz amizade com alguns camaradas do México, ligados à Fundação Malcolm Lowry, em Cuernavaca, que publica a revista ‘Quinqué’.

De quando em quando, vejo mencionado o nome de Lowry; poucas vezes.

Frequentemente, reabro o seu livro extraordinário, aquele que importa, numa obra exígua.

Um dos romances maiores do século XX?

Certamente.

E um libelo implacável da condição humana.

Hoje, deparei com esta frase:

“O que é o homem senão uma alminha que suporta um cadáver?”   

2 comentários:

  1. Gostei muito de ler o livro.
    A frase é muito densa!

    Compreendo-a... mas é bom que se rebata.

    Tragicamente, e com a possibilidade de cair em lugares comuns, começamos a morrer logo que nascemos.
    Morremos todos os dias qando choramos, renascemos quando rimos. O cadáver, infelizmente é a máscara imposta por um conjunto de genes. Já ouvi dizer que não pedimos para nascer, é interessante, no entanto que os budistas têm a ideia que quem nasce é porque pediu para nascer. Talvez por isso, a morte seja triunfal para eles pois é uma passagem, para nós é determinismo...
    Beijinho.

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  2. Ana, estamos vivos até nos apagarmos. E vale a pena. A "alminha" é capaz de ser da eternidade.

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