Acre e dura carne
Pátria onde nasci Desespera
vê-la tão seca na matriz
Acre e dura carne (austera)
no coração do meu país
Flor de saibro O rosto mole
vem da névoa cega e fria
Rastos do carro do sol
carregando o corpo do dia
Ondas de pedra -a fúria nos arcos
da voz: Morda aguente e fique!
E os pinhais -cascos de barcos
que navegaram a pique
Mentira o Fado que se toca:
Na pedra mais pedra mais secreta
abre-se e rasga-se uma boca
onde um pássaro canta e dejecta
Lá a cabra o vento o poeta
naturais de alma e corpo ao léu
trazem nos ventres o demo
e à flor dos cornos o céu
Luís Veiga Leitão in Ciclo de Pedras, 1964

Muito bonito e tão pertinente!
ResponderEliminarPortugal é um estranho país, ser português é um estranho destino... Ana: Por tierras de Portugal y España, de Unamuno, que tenta explicar o inexplicável português.
ResponderEliminar