sábado, 17 de março de 2012

Páginas de um Diário público: a vontade do homem

"Desenho", de Leonardo Da Vinci


Acredito na possibilidade de criar um mundo livre e harmonioso, assente ma confirmação da individualidade e no encontro; na descoberta e no amor ao Outro.

O de hoje é uma sociedade em que cada um cresce condicionado e se afoga nas coisas inúteis, em que cada a pessoa se transforma num número, num objecto e consagra o termo ominoso: “produto”.

O homem não é um produto, é uma aventura. É a sua própria aventura.

É urgente recriar esse mundo em que o homem tinha um lugar, era ouvido, lutava pela liberdade e pela felicidade –pela justiça social.

O progresso revelou-se um retrocesso.

O progresso foi, é a usurpação da riqueza e rédeas atiradas para cima de escravoscavalos que sacrificam à produção de produtos, sendo-o.

Isso a que chamam progresso foi a perda da alma.

Eu sei quanto de mentira e hipocrisia havia nas velhas sociedades, nos velhos regimes, afinal de volta, disfarçados...

Quanta desumanidade e injustiça!

Mas havia esperança e luta. Hoje, agora, aqui, há resignação e desistência.

A esperança foi arrancada e a luz ao fundo é a fogueira da miséria humana, do inferno onde se iludem e vendem os homens.

A grande máquina que alimenta oprogresso, monstro triturador, engaja-os e promove os novos escravos a chefes de outros escravos.

Hoje, matamo-nos uns aos outros.


Tal qual contou Jorge Reis, no romance intitulado Matai-vos uns aos outros, Prémio Camilo Castelo Branco, 1962, tempo de peste...

Somos fantasmas, cadáveres ambulantes, com coisas em cima.

Mas eu acredito no dia de amanhã e sei que depende de mim... de ti...


2 comentários:

  1. Tudo belo a imagem e o texto.
    "A perda da alma"...
    Oh, como desejo que o progresso não leve à perda da alma!

    A alma é o que nos resta e não nos podem roubar.
    Se puder passar na minha janela julgo que vai gostar. :)

    ResponderEliminar
  2. Claro que lhe resta a alma e a obrigação de a respeitar: de se respeitar! Há nos portugueses uma doentia tendência para a melancolia pessimista. Livre-se disso! Gsitei muit do seu post!

    ResponderEliminar